O presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou ontem o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Juarez Quadros, para substituir, interinamente, o ministro Sérgio Motta. A substituição de Motta pelo seu secretário-executivo foi decidida após o agravamento do estado de saúde do ministro. Fernando Henrique assinou, também ontem, a nomeação do presidente do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para coordenar a comissão especial de supervisão de privatizações da área de telecomunicações.
O porta-voz do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, informou que a nomeação de Mendonça de Barros tem por objetivo garantir a continuidade do processo de privatização, o cumprimento do calendário e do programa de privatização. Amaral explicou que Mendonça de Barros - que continua presidindo o BNDES - já vinha trabalhando na condução do processo de privatização do setor e a sua nomeação para este cargo ‘‘assegura a coordenação entre o BNDES e o Ministério das Comunicações’’. ‘‘Não haverá qualquer solução de continuidade nas privatizações’’, disse o porta-voz, atribuindo a necessidade das nomeações a questões burocráticas. Ele lembrou ainda que o BNDES é quem coordena o processo de privatização.
A Comissão Especial de Supervisão das Telecomunicações funciona como um Conselho Nacional de Desestatização do setor. Desde que foi criado no início de 1997 até agora, a coordenação estava a cargo de Renato Guerreiro, que de secretário-executivo do Ministério das Comunicações passou a presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Desde a instalação da agência, em novembro do ano passado, Guerreiro tem-se envolvido cada vez mais com os esforços de estabelecer o órgão regulador e de elaborar com os demais conselheiros da Anatel uma série de regulamentações necessárias à privatização. Um assessor do Ministério das Comunicações avalia que a substituição já se fazia necessária há algum tempo, mas admite que a licença do ministro Sérgio Motta favoreceu a decisão neste momento. Vai caber a Luiz Carlos Mendonça de Barros orientar as discussões nas reuniões semanais da Comissão Especial de Supervisão. Quando os onze membros da comissão tiverem chegado a conclusões sobre os próximos passos da privatização, caberá ao ministro das Comunicações - cargo que será ocupado interinamente pelo secretário-executivo, Juarez Quadros - dar a palavra final. A comissão vai se reunir na quarta-feira em caráter extraordinário para aprovar o aviso de pré-inscrição dos interessados na privatização do Sistema Telebrás.
Orações Fernando Henrique decidiu nomear substituto para Sérgio Motta depois de receber informações sobre o agravamento de seu estado de saúde. Na noite de domingo, a primeira-dama Ruth Cardoso e outros amigos foram chamados ao Hospital Albert Einstein pela mulher do ministro, Vilma Motta, que fez um relato desesperador e pediu que todos rezassem pelo marido.
O porta-voz disse que o presidente tem acompanhado, diariamente, a evolução do estado de saúde de Motta, seja conversando com a esposa do ministro, seja com os médicos do hospital. Segundo Amaral, antes de o ministro entrar nesta fase de tratamento, ‘‘em que houve entubamento e a tomada de sedativos’’, o presidente conversava com o próprio Sérgio Motta. O porta-voz contou que na quinta-feira o ministro encaminhou ao presidente um fax muito satisfeito com o editorial do ‘‘Jornal de Brasília’’, com elogios ao governo pela forma como foi conduzida a licitação da Banda B.
Fernando Henrique deixou Brasília, na última quinta-feira, disposto a desembarcar em São Paulo e seguir direto ao hospital Albert Einstein, onde Motta está internado. Ao chegar ao aeroporto de Congonhas, o presidente conversou com a mulher do ministro, que desaconselhou a visita. Vilma Motta explicou ao presidente que o aparelho que Motta estava usando - uma máscara - o impediria de conversar. Vilma temia que o marido, ansioso como é, ficasse angustiado querendo conversar, sem poder, prejudicando seu quadro.
O presidente, então, decidiu ir direto para seu sítio em Ibiúna, no interior do Estado, e telefonava para o hospital pelo menos duas vezes por dia, para saber do estado de saúde do amigo. No domingo, mais uma vez, o presidente pensou em ir lá e, mais uma vez, foi desaconselhado por Vilma, o que o fez embarcar direto para Brasília. A primeira-dama Ruth Cardoso, no entanto, ficou em São Paulo.
Na noite de domingo a saúde de Motta piorou. Ele ficou inconsciente e passou a ter maior dificuldade para respirar. A mulher do ministro foi informada pelos médicos sobre a fragilidade do estado de Sérgio Motta. Preocupada, ela telefonou para os amigos e familiares, pedindo que fossem para o hospital e rezassem pelo marido. Dona Ruth e o ministro da Saúde, José Serra, entre outros amigos, seguiram para o hospital, onde permaneceram por quase uma hora.
Ainda na madrugada de segunda-feira, o presidente foi informado de que a respiração de Motta melhorou um pouco, mas continuava com picos de febre e inconsciente. O presidente, de acordo com assessores, embora tenha conhecimento do grave estado do ministro, ainda torce pela recuperação de Motta.

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