Eles representam 3% da população apta a votar, mas mal passam de 1% do eleitorado e continuam preferindo videogame à discussão política. O tema ‘‘política e sociedade’’ perde para todos os 12 itens na lista de interesse dos jovens brasileiros, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Akatu, feita em parceria com a Indicador Opinião Pública.
Apenas 10% dos entrevistados disseram ter interesse pela política; os videogames receberam 11%. O maior interesse está no tema ‘‘educação e carreira’’ (59%), seguido de atividades ligadas à diversão, como ‘‘desfrutar a natureza’’ (49%) e ‘‘ouvir música e dançar’’ (45%).
O instituto fez 259 entrevistas domiciliares, entre 13 e 18 de novembro do ano passado. A pesquisa, que envolveu as classes A, B, C, D e E, foi feita com base no estudo ‘‘Is The Future Yours?’’ da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 24 países. De todos eles, o Brasil é o que apresenta o menor índice de interesse pela política entre a juventude, ficando atrás tanto de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, e de semelhantes, como a Argentina. No primeiro, 23% dos entrevistados disseram ter ‘‘muito interesse’’ pelo assunto; no segundo, foram 27%.
Quanto falam sobre a participação dos jovens na política - ou da falta dela -, os especialistas tentam conter conclusões apressadas. Advertem que o baixo interesse do eleitorado facultativo não deve ser avaliado isoladamente. ‘‘A faixa de 16, 17 anos, como não é obrigada a votar, se torna um indicativo do desinteresse geral do brasileiro pela política’’, avalia o sociólogo Gilberto de Palma, do Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Cidadania.

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