Jovens lembram de Che Guevara
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Porto Alegre Sentados sobre um trapo de pano xadrez preto e branco, seis jovens ouviam ontem, por volta do meio-dia, o índio maia Vento Elétrico (nascido Oscar, no México) falar sobre a purificação para liberar as cargas negativas do corpo. ''Se vem a tormenta, tem que ficar calmo. Tudo vem e tudo vai'', ensinava aos rapazes e moças de várias nacionalidades, entre eles o brasileiro Eduardo Bernejo, de 20 anos, que deixou Atibaia (SP) e viajou a Porto Alegre para o Fórum Social e para se encontrar com o guru.
O encontro entre os participantes do evento acontece no Acampamento da Juventude, no Parque da Harmonia, espécie de coração jovem do fórum. Os participantes chegaram de todos os lugares e países, principalmente da América do Sul, e instalando suas barracas tipo iglu. Eles querem fazer parte da história, como seus ídolos, expostos com estardalhaço pelas ''ruas'' do acampamento, elas também com nomes de personagens que deixaram a marca na luta pela mudança do mundo, bem-sucedidas ou não. Lá estão, por exemplo, as ''ruas'' Karl Marx, Rosa de Luxemburgo, Vladimir I. Lenin, Simon Bolívar e as ''plazas'' Salvador Allende e Che Guevara, entre outras.
Che, o símbolo maior que hoje ilustra boa parte das camisetas dos jovens de esquerda, é o mais lembrado. Vez por outra, há uma bandeira com seu rosto, hasteada por jovens que nem eram nascidos quando o ídolo morreu. A cigana Vera se entusiasma com um autógrafo que recebeu ontem de Aleida Guevara, médica cubana filha de Che, que está participando do Fórum Social Global: ''Um abraço para Vera, de uma mulher cubana''.


