O Senado da República é realmente um lugar muito interessante. As crônicas de Machado de Assis, escritas no final do século 19, quando a capital brasileira ainda era no Rio de Janeiro, mostram que a singularidade dos usos e costumes daquela Casa vem de longe. Hoje em dia, quando assistimos aos senadores em plena ação e ao vivo pela televisão, podemos observar que em público eles se relacionam com a maior solenidade – é vossa excelência pra cá, vossa excelência pra lá –, mas no dia-a-dia parece que a coisa se resolve na informalidade mesmo.
  – Oi, está sentado? Acabei de violar o painel de votação.
  – É mesmo? Que interessante, deixa eu ver a lista de votantes...
  – Aqui está, como vai a família?
  –Bem, obrigado... e a tua criação de rãs? Ah, desculpe, não é você que entrou para o ramo da ranicultura... Parabéns pela lista de votação. Matou a pau!
  – Legal, estou indo para o Planalto. Algum recado?
  – Não, hoje não. Quando sair, por favor, peça para a minha secretária mandar entrar o próximo. Acho que é aquele senador que meteu a mão na Sudam.
  – Legal! Até mais, dá um abraço no pessoal...
  E assim a coisa segue, na maior informalidade, quando não há transmissão pela TV. O que é uma pena, pois cenas tão naturais e assuntos tão quentes dariam um Ibope danado e os anunciantes passariam a disputar espaço na telinha da TV Senado. Seria até um modo do nosso legislativo zerar seu déficit crônico. No bom sentido, é claro.

 

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