Vindos de todas as fábulas,
numa clareira da floresta,
bichos de todos os tipos
juntaram-se numa festa.
A raposa falou primeiro,
com grande sabedoria,
agradecendo à Ciência
uma nova benfeitoria.
Falavam do ser humano,
o rei da comparação,
sempre rugindo nas fábulas,
com a coragem de um leão.
Esperto feito raposa,
mais veloz do que um gato,
menosprezando a todos,
na virtude é um nato.
É mesmo uma injustiça,
interferiu a serpente,
o bicho leva nas costas
defeito que é de gente.
Para nós cabem os vícios,
somos vilões em sua obra,
se o humano faz o mal,
é traiçoeiro feito cobra.
O ardil é de raposa
quando engana o fraco;
e na hora da malandragem
quem leva a culpa é o macaco.
Comigo foi indecente,
pediu a palavra o lobo,
com ele os animais
só fazem papel de bobo.
Apoio o que estão dizendo,
disse em aparte, o sapo,
em todas as suas histórias,
o animal paga o pato.
Com o trocadilho infame,
a bicharada se esbaldou,
já iam para a baderna,
mas o rato se adiantou.
Pedindo a atenção de todos,
lembrou o tema do encontro,
um justo agradecimento
a um belo contraponto.
Pediu um aplauso à Ciência
e este novo conceito,
que vem com inteligência
acabar com o preconceito.
Alterando o orgulho humano
na revelação de um fato:
que a soma do seu genoma
é a mesma de qualquer rato!

mockup