A violência produz cada idéia neste país que, vou te contar... é uma violência. Agora a nova vem do Ministério da Justiça. Um petardo. Na pasta de José Gregori estuda-se mudanças no Código Penal para tornar mais rígidas as penas impostas a autores de homicídios de policiais, civis ou militares em serviço.
  É aquela mania de tucano, de deixar os problemas se agravarem e depois tirar da cartola uma idéia rápida na tentativa de engabelar a opinião pública. Essa foi para aplacar os ânimos da imprensa, especialmente a carioca, que andou noticiando um suposto aumento de assassinatos de policiais no Rio de Janeiro.
  O ministério ainda não revelou a tabela de valores que definirá quanto um policial valerá a mais – em anos de cadeia para o criminoso – que um paisano. E por que as vidas de dois semelhantes – diferenciados apenas pela função – devem ser protegidas de formas diversas perante a lei.
  Caso haja um tiroteio em um local público e um policial e uma velhinha forem atingidos mortalmente o criminoso pagará mais caro pela morte do policial? Um assassino de civis não acabará sendo beneficiado, tendo a penalidade menor como uma espécie de bônus.
  E o civil, valendo menos na verdadeira guerra civil das grandes cidades, vai enfrentar esta queda sem nenhuma arma na mão? Desarmado pelo Estado e em baixa no índice a bolsa ou a vida? Salve-se dessa quem puder!
  São questões para serem esclarecidas antes de se colocar em prática mais este estupendo plano de combate à violência, que deve vir logo por aí junto com a melhoria na iluminação pública, prometida há meses para nos livrar do assalto nosso de cada dia.
  Vamos esperar para ver. E rezar para que eles descubram um jeito de livrar também à nós, os paisanos, do tiroteio. Afinal, para nós os tiros vêm dos dois lados.
  

Jerusalém, tanto em hebraico quanto em árabe, remete à palavra paz. É a prova de que para mau entendedor nem uma palavra inteira e traduzível em duas línguas basta.