O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), decidiu integrar a linha de defesa do governo federal. Ontem, depois de lançar o Programa de Profissionalização de Trabalhadores na Área de Enfermagem (Profae), no Memorial da América Latina, em São Paulo, Serra classificou a CPI proposta pelos partidos de oposição como ‘‘um pretexto eleitoral’’ e aproveitou para atacar, indiretamente, o PT.
‘‘Eu não tenho nada a temer, mas, muitas vezes, essas CPIs não são mais do que um pretexto eleitoral em cima de investigações que já estão sendo realizadas’’, afirmou Serra. ‘‘Quando a CPI é para fazer um repeteco de faturamento eleitoral, então, é outra história, outro departamento.’’
De acordo com o ministro da Saúde, o teor da CPI é abstrato e serve apenas para fins eleitorais. No requerimento da CPI, as legendas de oposição ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso relacionaram 22 denúncias de irregularidades a serem investigadas – até mesmo as exigidas pelo presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), para assinar o documento.
Ao ser questionado sobre quem poderia ser beneficiado com a eventual instauração da CPI no Congresso, Serra respondeu que seriam ‘‘aqueles que acreditam no quanto pior, melhor’’. ‘‘Quem não tem nada a propor a respeito do Brasil; quem só sabe adotar uma atitude do quanto pior, melhor, e quem precisa disso (a CPI) para criar ondas artificiais de escândalo’’, prosseguiu.
O ministro da Saúde disse ser cedo demais para falar sobre a eventual candidatura dele a presidente em 2002. Diante das insinuações de que algumas das ações dele estariam sendo interpretadas como eleitoreiras, Serra foi taxativo e disse estar fazendo o trabalho de ministro da Saúde.
Encerrada a cerimônia, Serra esbanjou simpatia. Cumprimentou todos os que o procuravam, atendeu vários pedidos e posou para fotografias. Perguntado se se considerava simpático, respondeu: ‘‘Minha mãe me acha simpático.’’

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