Rio de Janeiro - Com ovos nas mãos, um grupo de 50 ex-funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), cercou ontem durante mais de cinco horas o prédio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no centro. O alvo da manifestação era o pré-candidato do PSDB à presidência da República, senador José Serra, que esteve na instituição para uma palestra. Como o senador conseguiu sair do prédio sem ser visto, em um carro blindado, os ovos acabaram sendo lançados contra a entrada principal da Firjan.
Serra comentou o episódio mais tarde, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde se encontrou com o prefeito José Camilo Zito dos Santos, de seu partido. ‘‘Isso não tem mais nada a ver com Saúde, faz parte de uma estratégia eleitoral. Evidentemente não é o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) que está fazendo isso. Ele, provavelmente, nem sabe, mas a maioria (dos manifestantes) é do PT e do PSTU.’’ O protesto atrasou a agenda de Serra em pelo menos uma hora e meia.
Alheios às críticas, os manifestantes prometeram infernizar a vida do pré-candidato. ‘‘Ele (Serra) não vai conseguir fazer campanha no Rio. Sempre que vier, vamos criar inconveniências’’, disse Lúcia Pádua, diretora do Sindicato dos Servidores da Saúde e da Seguridade Social (Sindsprev). O senador disse que a manifestação não tem a ‘‘menor importância’’ e visa apenas chamar a atenção da mídia.
Os manifestantes fazem parte dos 5.792 agentes de saúde demitidos da Funasa em 1999, quando Serra era o ministro da Saúde. Eles responsabilizam o pré-candidato pelas demissões e pela epidemia de dengue que atingiu o Rio, e afirmam ter obtido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma decisão favorável à reintegração dos demitidos. A decisão não teria sido respeitada pelo governo federal.

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