José Janene e a mulher prestam depoimentos na PF
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O ex-deputado federal José Janene (PP) e sua mulher, Stael Fernanda, prestaram depoimento ontem, em Londrina, em dois procedimentos distintos que tramitam na Polícia Federal (PF).
Janene prestou depoimento para uma delegada da PF de Brasília, especialmente designada para ouvi-lo. Consultada pela FOLHA, a delegada preferiu não se identificar e também não revelou o conteúdo dos autos que portava. Conforme a reportagem apurou, Janene teria prestado declarações em um recurso de uma ação do escândalo AMA-Comurb, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-deputado preferiu não se manifestar. O advogado de Janene, Adolfo Góis, que acompanhou também Stael Fernanda, também não concedeu entrevista.
Stael - que também não falou com a imprensa - foi intimada a depor no inquérito presidido pelo delegado Gerson Machado, que apura indícios de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, supostamente praticados por ela e por dois assessores de Janene, Rosa Alice Valente e Meheidein Jenani.
O cruzamento de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), bancos e Receita Federal apontou que desde 2003 as movimentações e acréscimo patrimonial dos três investigados são muito superiores aos rendimentos. As investigações mostram que Jenani e sua mulher recebiam depósitos de altos valores de várias empresas, enquanto Stael aumentava o patrimônio constantemente.
Entre os depósitos, o inquérito visa esclarecer os supostamente efetuados pela Bônus-Banval - corretora envolvida no escândalo do mensalão - na conta de Stael e de Rosa. Conforme o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, em 2004, a corretora e diretores da empresa teriam depositado na conta da mulher do ex-deputado cerca de R$ 560 mil. Para a conta da assessora, teriam sido encaminhados R$ 154 mil.
Segundo o delegado, Stael - intimada na condição de declarante - teria permanecido em silêncio. ''Ela foi formalmente identificada nos autos, chamada para prestar esclarecimentos. Foram consignadas algumas perguntas e ela se reservou o direito de permanecer calada. Formalmente ela está qualificada nos autos. Foi dada oportunidade dela responder e ela se negou. Isso, para o juiz, na hora de julgar, acho que é bem válido'', disse Machado.
Além de tentar esclarecer a movimentação com a Bônus-Banval, o delegado queria informações sobre ''outras movimentações''. No entanto, devido um mandado de segurança impetrado por um dos investigados - que paralisou as investigações por quase quatro meses - Machado não pôde revelar detalhes do inquérito. ''A CPMI dos Correios já identificou a Bônus Banval. Nós identificamos outras. A questão de revelar isso para a imprensa, a imprensa que tem que cobrar isso do judiciário.''
Hoje, o delegado irá tomar o depoimento de Janene. ''No último depoimento da Rosa Alice Valente, ela falou que a maioria da movimentação dela é o deputado que poderia esclarecer. Tudo converge para o ex-deputado. É a oportunidade dele de esclarecer. Se ele não esclarecer, usamos métodos de investigação para chegar na formação da prova para o Ministério Público'', afirmou Machado.
O delegado não descarta a possibilidade de Janene ser incluído no inquérito, ou ser instaurada uma investigação específica para ele, já que agora o ex-parlamentar não conta mais com o foro privilegiado.


