Agência Estado
De São Paulo
O deputado José Gerardo (PPB), apontado pela CPI do Narcotráfico como um dos principais dirigentes do crime organizado no Maranhão – com ramificações em outros 13 Estados – deverá perder o mandato na próxima sexta-feira por ‘‘quebra de decoro parlamentar.’’ A cassação será decretada durante sessão extraordinária em São Luis, convocada ontem. São necessários pelo menos 22 votos – metade mais um – de um total de 42 parlamentares.
Entre os próprios deputados não há mais dúvida de que Gerardo será mesmo cassado com larga margem de votos. Isso ficou acertado na reunião de ontem da CPI do Crime Organizado. Os colegas do pepebista estão preocupados com o desgaste que as denúncias vêm provocando na Casa e querem concluir rapidamente a CPI, antes que novas revelações alcancem outros parlamentares.
Suspeito de ser o mandante de 10 assassinatos e do roubo de 86 caminhões na BR-316, rodovia que corta parte do Estado e vai até Belém (PA), Gerardo cumpre seu quinto mandato e será o primeiro parlamentar estadual cassado depois que a CPI do Narcotráfico começou a vasculhar as atividades do crime organizado no País. Em setembro, foi cassado Hildebrando Pascoal que era deputado federal pelo Acre e teria ligações com Gerardo e o deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão do empresário PC Farias.
A CPI apurou que as cargas desviadas pela quadrilha de Gerardo eram repassadas a prefeituras do interior do Maranhão ou trocadas por cocaína e armamento pesado na Bolívia. O deputado do PPB estava convocado para depor ontem à CPI mas não compareceu. A comissão decidiu indiciá-lo indiretamente por homicídios, roubo de caminhões, narcotráfico e formação de quadrilha. Gerardo já havia sido enquadrado pela CPI do Narcotráfico, conduzida pela Câmara. Ontem, a Prefeitura de São Luis cassou a licença da empresa de transporte urbano do deputado.
Gerardo tem prazo de cinco sessões para apresentar sua defesa. O prazo vence na quinta-feira. Independente do que alegar, a cassação será votada no dia seguinte. Se o deputado não se manifestar, a Assembléia vai nomear um advogado para defendê-lo. Com a cassação, Gerardo perderá a imunidade e poderá ser preso.

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