José Eduardo Vieira, dono do Grupo Folha, morre aos 76 anos


Redação Bonde

Morreu na manhã deste domingo (1º), aos 76 anos, o empresário José Eduardo de Andrade Vieira, dono do Grupo Folha de Comunicação. O empresário estava internado no hospital e faleceu por volta das 6h em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

A vida de José Eduardo foi marcada por momentos significativos tanto na área política como na econômica. O empresário presidiu o Banco Bamerindus entre os anos de 1981 e 1997, quando a instituição foi vendida ao HSBC. Em 1992, ele entrou como sócio da Folha de Londrina, e em 1999 assumiu a superintendência do jornal.

O empresário também foi um dos primeiros senadores eleitos após a redemocratização do Brasil e ocupou funções importantes nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990.

Vieira foi ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo no governo Itamar, e acumulou, entre 1991 e 1993, o Ministério da Agricultura na gestão do então presidente. Dois anos depois, já no governo do amigo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Eduardo voltou a ser ministro da Agricultura, e ficou no cargo até 1996.

O empresário, ex-senador e ex-ministro deixa sete filhos: Germano, Edson Luís, Alessandra, Tânia, Juliana, Cláudio e Alexandre.



Trajetória econômica

O espírito empreendedor e incentivador sempre foram características presentes da personalidade de José Eduardo. Assim como a maior parte de seus irmãos, ele nasceu e se criou em Tomazina e, posteriormente, aos 18 anos, já morando em Curitiba, começou a trabalhar dentro do Banco Bamerindus, fundado por seu pai, Avelino Vieira. O empresário atuou como auxiliar de cobrança interna e caixa no início de carreira e foi galgando posições conforme sua experiência, chegando a chefe de seção, gerente, diretor e, finalmente, vice-presidente no ano de 1974. Ele assumiu a presidência em 1981 e só deixou a função após a venda da instituição ao HSBC.

Sua postura simples e direta servia como incentivo para seus funcionários. Fruto disso é que, sob sua gestão, o banco pulou de oitavo para o terceiro lugar no ranking do setor. Conforme João Antônio Neto, que trabalhou por 36 anos no Bamerindus, até se aposentar em 1994, José Eduardo costumava dizer que gostava de ser franco e direto, sem meias palavras. "E, por isso que era uma instituição diferente. Os funcionários eram estimulados constantemente, até mesmo pela postura de simplicidade adotada pelo presidente. Um dos motivos do sucesso do banco era que o seu Avelino (pai) repassou ensinamentos aos seus filhos, e isso era perceptível quando o José Eduardo estava a frente dos negócios", destaca.

Trajetória política

"Nós temos que escolher as pessoas certas em quem nós vamos votar. Todos nós estamos frustrados, estamos brabos, estamos aborrecidos com os políticos. Todos nós estamos cansados de esperar por dias melhores. E por isso que eu estou entrando na política." A frase marcou a campanha de José Eduardo, então do PTB, ao Senado no final da década de 1980. Embora tivesse começado a campanha atrás dos demais candidatos, com apenas 5% das intenções de votos, conforme as pesquisas eleitorais, o "banqueiro rebelde", de acordo com pesquisa feita pela professora Luciana Panke, em seu trabalho de mestrado, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conquistou a confiança dos paranaenses e cravou 1.036.787 votos (41,9%).

Eleito senador, José Eduardo foi autor de propostas sempre voltadas aos trabalhadores. Viveu um dos cenários políticos mais conturbados do País, com o impeachment de Collor, em 1992. Passada a turbulência, era preciso recomeçar e a atuação no parlamento rendeu ao empresário o convite do presidente Itamar Franco, também do PTB, para o comando dos ministérios da Indústria, do Comércio e do Turismo e da Agricultura.

À frente dos dois ministérios, José Eduardo teve uma atuação que trouxe resultados positivos para o setor produtivo do Paraná. O assessor da presidência da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto de Albuquerque, afirma que Vieira foi fundamental na criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). A pedido do ex-presidente da Faep, Paulo Ribeiro, o empresário desengavetou o projeto que criava a iniciativa. Segundo Albuquerque, o projeto foi incluído na Constituição Federal de 1988, mas ficou parado no Senado. "Vieira desengavetou o projeto e fez andar. E, por este motivo, foi homenageado pelo Senar e Faep há uns três anos", conta.

Já como ministro da Agricultura, Vieira sempre foi um bom interlocutor entre a agricultura do Estado e o governo federal. "Foi um bom ministro e representou bem o Paraná", ressaltou Albuquerque. Ele lembra ainda que a produtividade do país começou a alavancar na agricultura nos anos 90.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, quando ministro de Indústria e Comércio, Vieira teve uma gestão mais voltada para o empreendedorismo. "Tenho profundo respeito e admiração pelo homem (José Eduardo de Andrade Vieira) e pelo banco", afirma Campagnolo, que trabalhou no Banco Bamerindus no início de sua carreira. Segundo ele, a instituição ajudou a transformar a produção do Paraná nas áreas de indústria, serviços, comércio e agricultura. "Era difícil uma cidade do Paraná que não tivesse uma agência do Bamerindus", destaca.

Reconhecimento

Ao longo de sua vida política e empresarial, José Eduardo de Andrade Vieira recebeu diversas homenagens, vinda de vários segmentos


Homenagens Recebidas:

- Comenda de São Gregório Magno da Santa Fé. A comenda é o
reconhecimento da Igreja Católica ao apoio do Zé Eduardo a várias
obras sociais no Paraná e em outros estados brasileiros.
- Medalha do Mérito Judiciário.
- Diploma de Gratidão do Proálcool e da Sopral (1983).
- Cidadão Honorário de Arapoti-PR;
- Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro (1985);
- Cidadão Honorário de Ponta Grossa (1986);
- Cidadão Honorário da Cidade de Colombo/PR (1988);
- Cidadão Honorário de Jacarezinho-PR,
- Cidadão Honorário de Maringá,
- Cidadão Honorário de Niterói (1989);
- Cidadão Honorário de Campo Grande,
- Cidadão Honorário de Curitiba,
- Cidadão Honorário de Londrina;
- Cidadão Honorário de Siqueira Campos (1990)
- Cidadão Benemérito de sua cidade natal, Tomazina (1989);
- Diploma de Sócio Benemérito do Futebol do Paraná (1985);
- "o Bom samaritano" do Hospital Adventista de Pênfico, Campo Grande-MS (1988);
- Líder Empresarial Nacional pela "Gazeta Mercantil" (1989).
- Líder Empresarial Regional (1989);
- II Prêmio Personalidade - Líderes de Finanças, do Jornal "Indústria e Comércio" de Curitiba (1989).
- "O Homem de Vendas do Ano" pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil - ADVB" (1989).
- Sócio Benemérito da Associação Comercial e Industrial de São José do Rio Preto - SP (1989).
- Certificado de Reconhecimento Público de Gratidão da União dos Municípios Energéticos (1989).
- "Os notáveis do Ano de 1990" pelo "Jornal do Comércio" do Rio de Janeiro.
- "Prêmio Cidade de Curitiba" na área empresarial bancária (1990).
- Líder Empresarial Nacional (1990).
- Comendador da Ordem de "São Gregório Magno da Santa Sé", concedida pelo Papa João Paulo II, Roma (1990).
- Medalha do Tribunal Superior do Trabalho no Grau de Comendador (1990).
- "Prêmio Cidade de Brasília" (1991).
- Certificado por serviços prestados à cidade e à indústria paranaense da Federação das Industrias do Estado do Paraná (1991).
- Líder Empresarial (1991/92).
- Líder Empresarial Regional Sul (1991).
- Grã-cruz da Ordem de San Carlos do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia (1994).
- Ordem Mérito Militar no Grau de Grande Oficial do Ministério do Exército (1995).
Medalha da Inconfidência concedida pelo Governo de Minas Gerais (1995).
Medalha do Mérito Judiciário.

(com informações dos repórteres Andréa Bertoldi, Edson Ferreira e Rubens Chueire Junior, da Folha de Londrina)




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