Arquivo FolhaPortas abertasJosé Eduardo: possibilidades de coligação com o PSDB ou ainda o PMDBO presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira, confirmou ontem que seu nome será colocado à convenção de junho como alternativa de candidatura ao governo do Paraná. ‘‘Jamais serei candidato de mim mesmo, mas o PTB tem de buscar seu crescimento com candidaturas estaduais e não seria no meu Estado que ficaríamos de fora da disputa’’, afirmou. A alternativa da candidatura própria foi fechada numa reunião anteontem, do senador com a bancada paranaense, da qual participaram nove deputados estaduais. A reunião foi na casa de José Eduardo, em Brasília.
José Eduardo garante que não está criando fato novo nem quebrando um compromisso assumido com a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘A todos que me consultaram no período de ingresso de novos deputados ao partido, sempre deixei claro que a aliança com o governo só poderia vir de um referendo da convenção, nunca por antecipação’’, argumentou.
O senador também garantiu que a tomada de posição de anteontem não significa um rompimento com o governo. ‘‘O PTB vai dar sustentação a Lerner até o dia da convenção. A partir daí, pode seguir qualquer caminho’’, sinalizou. Os caminhos relacionados pelo senador são candidatura própria, reafirmação da aliança com o grupo de Lerner e até mesmo coligação com outra candidatura, como as de Álvaro Dias (PSDB) ou do PMDB de Roberto Requião.
O próprio Lerner foi alertado (no encontro de semana passada) ‘‘que não há como o PTB deixar de refletir sobre suas possibilidades antes de assumir um compromisso oficial’’, afirmou José Eduardo. ‘‘Quanto mais candidatos, melhor para a democracia’’, emendou.
O senador ainda não admite a hipótese de vir a ser mais um candidato de oposição ao governo. ‘‘De oposição é o Roberto Requião e o Álvaro Dias. Eu seria um candidato a favor do Paraná, que manteria abertura para uma composição de segundo turno, se isso vier a acontecer’’, disse. Uma aliança com Lerner nessas condições, para o senador, seria ‘‘um sinal de que fomos bons aliados’’, definiu.
José Eduardo garante que há lideranças do PTB exigindo uma posição do partido que não seja de mero coadjuvante das eleições deste ano. Quanto à possibilidade de o PTB caminhar tranquilo com o bloco do governo, o senador afirma que os líderes desse movimento - o ex-presidente estadual Nelson Justus e o ex-secretário da Agricultura Hermas Brandão - ‘‘não tinham o respaldo do partido’’.
‘‘Os dois defenderam o engajamento total e eu me manifestei contrário. Sou o presidente nacional do partido e não posso admitir um negócio desses, o de que no meu Estado não haja discussão interna’’, enfatizou o senador. Ele também rebate interpretações de que a candidatura própria não passa de ameaça para barganhar mais espaços dentro da aliança. ‘‘Quem me conhece não tem o direito de pensar isso de mim’’, afirmou. Conforme o senador, na eleição de 94 o PTB tinha na coligação com o então PDT de Lerner uma importância ‘‘que hoje é muito diferente em relação ao PFL’’. Ele dá a entender que na atual correlação de forças, o PFL não divide, mas domina.

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