José Eduardo denuncia manobra do BC
Patrícia Zanin
O ex-dono do Bamerindus e ex-senador José Eduardo Andrade Vieira disse ontem que a divulgação pelo Banco Central da existência de 13 notícias-crime contra ex-administradores do Bamerindus é mais uma tentativa de o BC desmoralizá-lo perante a opinião pública. Mas o Banco Central não conseguiu e nem vai conseguir, afirmou ontem à Folha.
De acordo com reportagem publicada ontem no jornal O Estado de S.Paulo, o BC encaminhou ao Ministério Público Federal no Paraná 13 notícias-crime contra ex-administradores do Bamerindus e apontou como possíveis infratores 32 pessoas, entre elas o ex-senador. Esse relatório foi feito há dois anos e meio e sugere que pode ter havido fraude. É mais uma tentativa do Banco Central de me desmoralizar. Ele disse ter estranhado o fato de o BC ter divulgado as informações justamente anteontem, mesmo dia em que ele prestou depoimento à CPI dos Bancos e acusou o BC de ter sido responsável pela quebra do Bamerindus.
O ex-senador garantiu que não tem conhecimento de irregularidades que podem ter sido cometidas por ex-administradores do Bamerindus porque afastou-se da administração do Banco quando foi eleito senador, em 89. Mas afirmou que, se houve algum erro, a Justiça tem de ser feita. Se algum diretor do Bamerindus cometeu má gestão e falcatrua, deve ser punido. São todos meus amigos, gosto de todos, mas se algum cometeu deslize não vou acobertar. É importante que se esclareça e se puna, se for o caso. Andrade Vieira disse que não pretende impedir a ação da Justiça para apuração dos fatos.
Ele disse que recebeu apoio de vários congressistas sobre seu depoimento anteontem à CPI. Muita gente veio me cumprimentar. Até mesmo no hotel, gente que não conheço falou comigo espontaneamente, afirmou.
Apesar de não ter revelado na CPI o nome de diretores e de assessores do BC que, segundo ele, teriam vazado informações à imprensa sobre as dificuldades enfrentadas pelo Bamerindus antes de sua intervenção, Andrade Vieira disse ter entregue aos membros da CPI mais de 100 recortes de jornal nos quais estão pessoas importantes do BC. A entrega dos recortes foi feita depois de seu depoimento, em encontro reservado com os senadores. Se a comissão entender que deve abrir o sigilo dessas pessoas vai descobrir quem falava com quem, afirmou.
Andrade Vieira afirmou ainda que não disse nomes porque não poderia provar. Jornalistas me deram nomes e eu tenho de guardar o sigilo da fonte. Caso contrário, posso ser processado por difamação.
Andrade Vieira disse esperar que a CPI possa esclarecer o motivo que levou o Banco Central a prejudicar o Bamerindus e, ao contrário, favorecer outros bancos como o FonteCindam e o Marka, que receberam R$ 1,5 bilhão com a desvalorização do real. Espero também que os acionistas do Bamerindus sejam pagos e a indisponibilidade dos bens de ex-diretores seja suspensa. Os bens dele estão indisponíveis desde 1997.
João ElísioO ex-presidente da Bamerindus Seguros e ex-governador João Elísio Ferraz de Campos admitiu ontem em entrevista por telefone à Folha que conversou com o advogado Marcos Malan - o irmão do ministro da Fazenda Pedro Malan - sobre a crise financeira do Banco Bamerindus. João Elísio foi alvo dos jornalistas ontem por conta do depoimento de José Eduardo à CPI dos Bancos. O ex-dono do Bamerindus disse aos senadores que a conversa com Marcos Malan, explorada pela revista IstoÉ desta semana, aconteceu com João Elísio.
A conversa foi provavelmente em 1996, calculou João Elísio, que hoje responde pela presidência da Fenaseg, a Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização, com sede no Rio de Janeiro.
O ex-presidente da Bamerindus Seguros disse que fez um desabafo ao irmão de Malan. Pedi a ajuda dele e levantei o problema do banco. Naquela época, procurei todos os segmentos. Queríamos salvar o Bamerindus, rememorou. Só não falei com o diabo porque a minha religião não permite, brincou. João Elísio afirmou ainda que é amigo pessoal de Marcos Malan e que, em nenhum momento da crise, intermediou qualquer contato entre o ex-dono do Bamerindus José Eduardo e o advogado. (Colaborou Leandro Donatti).Ex-senador diz que o Banco Central quer atingi-lo ao divulgar supostas irregularidades de ex-diretores do Bamerindus
Arquivo FolhaRepercussãoJosé Eduardo recebeu apoio depois do depoimento: Até gente que não conheço veio me cumprimentar





