‘‘A posição de Itamar Franco é corretíssima’’, afirmou ontem o senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR) ao comentar a moratória decretada pelo governador mineiro. Segundo ele, o que está faltando no governo Fernando Henrique, e sobrando no de Itamar, são atitudes ‘‘moralizadoras’’, pois, ao suspender o pagamento das dívidas, Itamar não só reconheceu a situação crítica de seu Estado como mandou um recado claro aos credores: quando puder - o que está previsto para daqui a 90 dias, prazo que estabeleceu para a moratória - pagará a todos, indistintamente.
José Eduardo, que foi ministro de Indústria e Comércio entre 1993 e 94, no governo de Itamar Franco, criticou a posição da União e da maioria dos estados que, segundo ele, estão em situação financeira semelhante à de Minas, ou ainda pior, e não têm a coragem de suspender temporariamente o pagamento de suas dívidas. ‘‘E o que é pior’’, disse o senador, ‘‘só pagam aos amigos e deixam os demais ao relento’’. ‘‘A postura do Itamar é a mais correta entre todos os governadores, e só podem criticar a moratória aqueles que advogam a política do ‘é-dando-que-se- recebe’, dos conchavos e dos acordos’’, acrescentou.
A reunião dos governadores aliados do presidente, convocada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL) e realizada ontem em São Luis, foi, de acordo com José Eduardo, articulada pelo próprio presidente mas, mas antes de seu início, revelou-se uma ameaça ao Planalto. ‘‘A maioria dos governadores aliados deixou claro que é necessário mudar, urgentemente, a política de juros, que é uma das causas de seu endividamento’’.
Os governadores aliados do Planalto, criticou o senador petebista (cujo partido compõe a base de apoio de Fernando Henrique no Congresso), ‘‘agem de modo errado’’ porque ‘‘não declaram moratória, mas, ao mesmo tempo, não dispõem de recursos para cobrir a folha de pagamentos e honrar seus compromissos. Só pagam aos amigos’’.
‘‘Fui ministro dele (de Itamar) e sou testemunha da correção que sempre o pautou em todos os assuntos’’, acrescentou José Eduardo, para quem o governador mineiro, quando na presidência, foi o primeiro nos últimos 30 anos a conduzir o País para o desenvolvimento sustentado e deixar para o sucessor as contas equilibradas’’. Segundo o senador, Itamar está sendo criticado pela mídia nacional porque, ao contrário de Fernando Henrique, ‘‘não apoiou a grande mídia’’ durante o seu governo.
José Eduardo defende que o governador mineiro compareça o quanto antes à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que o convidou a esclarecer os motivos que o levaram a decretar a moratória. O convite foi feito pelos senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
A moratória de Minas é para chance da oposição contestar a política econômica de FHC.

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