Brasília - Após escapar da acusação de peculato na semana passada, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) virou réu ontem em denúncia de corrupção de ativa. No julgamento das denúncias dos 40 acusados de envolvimento com o mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, ontem a acusação de corrupção ativa contra o petista.
''Os elementos expostos estão a indicar crime de corrupção ativa'', afirmou o relator do mensalão, Joaquim Barbosa. ''Também entendo que há indícios para autoria e materialidade dos fatos'', comentou ministro Carlos Ayres Britto.
Na sexta-feira, os ministros do STF rejeitaram a denúncia por crime de peculato - desvio de dinheiro público em benefício próprio - contra Dirceu, além do deputado José Genoino (PT-SP), e os ex-dirigentes petistas Delúbio Soares e Silvio Pereira.
Segundo o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, o ''núcleo político'' integrado por Dirceu, Genoino, Delúbio e Sílvio Pereira tinham objetivos bem definidos.
''Tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros políticos para formar a base de sustentação do governo federal'', afirmou Souza, no relatório, referindo-se aos objetivos do núcleo.
De acordo com o procurador, o pagamento de propina para petistas teria iniciado em 2003 e prosseguido até 2005.
O mensalão foi denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). A expectativa é que o julgamento seja concluído hoje, mas é possível que se estenda até quarta-feira.
Ontem, por unanimidade, o STF acolheu denúncia de corrupção ativa contra o ex-presidente do PT e deputado José Genoino (SP) e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. Os dois estão entre os 40 denunciados pela Procuradoria Geral da República por envolvimento com o esquema do mensalão.
''Considero a denúncia apta para instauração penal'',afirmou o ministro Carlos Ayres Britto, referindo-se a Genoino. ''Penso que nos depoimentos colhidos há indícios do envolvimento do deputado José Genoino'', disse o ministro Marco Aurélio Mello.
Porém, o relator Joaquim Barbosa, rejeitou a denúncia de corrupção ativa contra Sílvio Pereira, ex-tesoureiro do PT, que também teve o nome incluído na relação de investigados pela Procuradoria. Mas, segundo Barbosa, não houve elementos para denunciá-lo.

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