Curitiba - O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu afirmou que se coloca à disposição dos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos cartões corporativos. Além do ex-ministro-chefe, a oposição estuda a possibilidade de convocar a atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para prestar depoimento na CPMI - cujo objetivo é investigar um suposto mau uso dos cartões corporativos durante a gestão Lula (PT). ''Ainda não conversei com os líderes da bancada, mas não tenho nenhuma objeção em falar na CPMI'', disse Dirceu durante entrevista à imprensa, ontem em Curitiba.
Apesar de ter apoiado as recentes medidas para evitar fraudes, o ex-ministro-chefe acrescentou que considera o cartão corporativo um avanço em relação ao controle dos gastos públicos e aproveitou para alfinetar a administração tucana de São Paulo, onde, segundo ele, ''não há qualquer transparência''.
Dirceu também falou sobre as próximas disputas municipais e defendeu, em 2010, a construção de uma aliança entre o PT e o PMDB para definir um candidato com possibilidades de dar continuidade à gestão Lula na Presidência da República. ''A aliança é a chave da vitória'', declarou ele, evitando arriscar o nome de um único pré-candidato. ''Nós temos opções, mas o cenário ainda não está claro''.
Dirceu também aproveitou para colocar lenha nas eleições em Curitiba, onde a petista Gleisi Hoffmann (presidente do PT no Paraná) deve concorrer com o atual prefeito da cidade, Beto Richa (PSDB). Por conta da recente declaração do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes (PMDB), que de passagem por Curitiba acabou dando a entender que a reeleição de Beto seria inevitável, Dirceu partiu para o ataque: ''Não consigo entender como é que o Beto pode ser 'imbatível'. Nos dois dias que eu estou aqui em Curitiba eu só vi problemas no trânsito e de segurança. Como que não há problema? Mas, se a postura for a de 'já ganhou', melhor para nós, porque a gente sabe que isso não funciona'', criticou ele.
Ainda sobre as eleições de outubro, Dirceu afirma que o PT tem ''uma longa folha de serviços prestados'' nas administrações municipais e que a expectativa é um aumento de 30% a 40% no número de prefeituras do País sob o comando petista. Os avanços do governo Lula, segundo ele, devem ter efeito positivo nas urnas municipais.
Inelegível até 2015 por conta do processo que sofreu na Câmara relativo ao caso ''mensalão'', Dirceu explica que sua participação atual em política é ''discreta''. ''O meu envolvimento é indireto. Participo das articulações de forma discreta, menor. E nem considero que devo atuar de outra maneira. Preciso cuidar da minha vida pessoal e me defender no processo (do ''mensalão'')'', afirmou ele.
Dirceu disse que tem acompanhado os depoimentos dos demais réus do caso, que corre no Supremo Tribunal Federal, e que está ''sereno e confiante''. ''Todos os depoimentos só me inocentam. A imensa maioria nem fala de mim. Se o julgamento for baseado no Código Penal e na Constituição eu estou absolvido, estou seguro da minha inocência. O problema é se for um julgamento político.''

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