José Dirceu promete depoimento duro
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segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Fábio Zanini<br>Folhapress 
Brasília - No mais aguardado depoimento da crise do ''mensalão'', o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) jogará hoje uma cartada definitiva para tentar salvar o mandato de deputado federal pelo PT-SP. A renúncia de Valdemar Costa Neto (PL-SP) ontem (leia texto na página 6), da tribuna da Câmara, tornou Dirceu a ''bola da vez'', na opinião de parlamentares governistas e de oposição. Ele nega a intenção de renunciar, no entanto, e promete um depoimento duro ao Conselho de Ética da Câmara.
Teoricamente, Dirceu falará como testemunha para instruir o processo de cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que estará na primeira fila e terá direito de interpelá-lo, em uma espécie de acareação informal. O ex-ministro não estará obrigado a dizer a verdade. Na prática, Dirceu vai depor como investigado e sabe que não pode pisar em falso, sob o risco de complicar ainda mais sua situação. Ciente da importância do momento, o deputado passou os últimos dois dias recluso em seu apartamento funcional, desenhando sua estratégia. Tem falado, entre outros, com os ministros Jaques Wagner (Relações Institucionais) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Dirceu terá muito a explicar. Os últimos três dias foram corrosivos para a imagem do deputado. Primeiro, veio a informação de que um assessor tinha autorização para sacar da conta da SMPB do Banco Rural. Depois, o fato de uma de suas ex-mulheres ter recebido financiamento do mesmo Rural, além de ter obtido um emprego no Banco BMG por solicitação do publicitário Marcos Valério. Por fim, a renúncia de Valdemar, que colocou o ônus em Dirceu para dar resposta semelhante.
Na opinião do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), integrante da Conselho e da CPI dos Correios, há vários cenários possíveis: ''O primeiro seria Dirceu minimizar as acusações, o que é uma opção defensiva, que não traria respostas. O segundo, tentar desqualificar Jefferson. O terceiro, acusar a oposição. E o quarto, o mais imprevisível, ficar mandando recados para o presidente.''
Na opinião corrente dos membros do Conselho, Dirceu poderá reconhecer alguns excessos e omissões, mas vai para a contra-ofensiva, lembrando as relações do PSDB e PFL com o esquema de Valério. O grande mistério é como Dirceu tratará o governo. Companheiros petistas falam de uma personalidade hoje dividida entre duas forças contraditórias: o homem de partido, que coloca o projeto político petista acima de tudo, e o dirigente temeroso de destruir sua biografia e passar para a história não como o idealista revolucionário dos anos 60 e 70, mas como alguém envolvido com corrupção.


