São Paulo - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, ingressou com ação de indenização por danos morais contra o médico oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel, morto em janeiro de 2002. Dirceu alega ter sido vítima de ''vasto compêndio de imputações caluniosas e difamatórias'' porque Francisco Daniel atribuiu-lhe, em declarações ao Ministério Público (MP), o papel de suposto destinatário de dinheiro de propina para financiamento de campanhas do PT.
O processo, número 808/04, foi distribuído para a 8 Vara Cível do Fórum de Santo André. O ministro sustenta que é ''inconteste a ocorrência do dano moral''. O texto da ação, subscrito pelo advogado Ricardo Tosto, especialista em Direito Civil, diz que ''as infundadas assertivas lançadas pelo réu macularam a imagem de um homem público de ilibada reputação devidamente construída através da incessante luta contra a corrupção e defesa da moralidade político-social''.
As primeiras acusações de Francisco Daniel, 5 meses após a execução do irmão um crime ainda sob investigação , foram feitas aos promotores de Justiça que investigam esquema de corrupção em setores da administração municipal no período entre 1997 e 2002.
O médico afirmou que o chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, lhe teria dito, dias após o sequestro e fuzilamento de Celso Daniel, que tinha a incumbência de levar dinheiro de propina para o PT e que esse dinheiro era entregue ao então presidente do partido, José Dirceu. ''O Gilberto me disse isso em mais de uma ocasião'', afirmou Francisco Daniel. Em 16 de abril, Francisco Daniel reafirmou, na Câmara de Santo André, o que denunciou ao MP.
Dirceu não exige um valor específico a título de reparação, mas seu advogado fala em ''elevado valor''.
Francisco Daniel afirmou que uma pessoa presenciou um dos encontros com Carvalho. O médico disse que vai revelar o nome da testemunha ''no momento oportuno''.

mockup