Quando retornou ao Brasil, em dezembro de 1979, o recém-anistiado José Dirceu de Oliveira e Silva (foto) mostrou espanto diante dos amigos. Chegou a dizer que a paisagem que cercava o Aeroporto de Congonhas tinha mudado muito desde sua saída do País. Afinal, segundo os jornais da época, Dirceu vinha de um exílio de dez anos em Cuba. Por razões de segurança, aquele ar de surpresa era puro fingimento.
Na verdade, o advogado de 51 anos que disputará a presidência do PT pela segunda vez passou boa parte de seu ‘‘exílio cubano’’ numa cidade do Paraná e, entre 1975 e 1978, esteve várias vezes em São Paulo.
Com um nome falso, o rosto transformado por uma plástica, Dirceu era um pacato morador de Cruzeiro do Oeste, dono do Magazine do Homem, casado com Clara - também do ramo de confecções - e pai de José Carlos. Na cidade, o ex-líder estudantil usava um nome falso - Carlos Henrique Gouveia de Mello - e os vizinhos não conheciam uma linha de seu passado. Clara só soube que seu marido não era Carlos no dia 4 de setembro de 1979 - e Dirceu retornou a Cuba. Em Havana, fez a primeira plástica para voltar ao Brasil clandestinamente em meados dos anos 70. Lá também fez a segunda cirurgia para retomar a face original.
O cidadão de Passa Quatro (MG) já havia entrado, desde os 60, para a história do período militar. Dirceu foi preso em 1968 e libertado em troca do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. De volta a São Paulo, depois da anistia, ele ajudou a fundar o PT, em 1980. Era radical, virou moderado. ‘‘O PT é socialista’’, pregava. Hoje, ele afirma que não é bem assim e defende alianças mais amplas para o partido. Dirceu foi deputado federal, perdeu a eleição para o governo de São Paulo (1994) e ocupa a presidência do PT desde 1995.

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