'José Dirceu não vai fugir', diz defesa do ex-ministro
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Prevendo uma possível prisão de seu cliente nos próximos dias, a defesa de José Dirceu, ex-ministro do governo Lula, protocolou uma petição junto à Justiça Federal do Paraná, ressaltando ser "desnecessária" a decretação de sua prisão preventiva dentro das investigações da Operação Lava Jato. O pedido foi feito no mesmo dia em que o empresário e ex-representante da empresa Toyo Setal Júlio Camargo apontou em interrogatório que teria repassado cerca de R$ 4 milhões em espécie, a título de propina, para o político a pedido do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Camargo fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e prestou depoimento dentro da ação penal em que também é réu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Na petição, os advogados ressaltam a "aflição" e "angústia" de Dirceu a respeito de uma possível ordem de prisão, que "já com seus 70 anos e rotulado indelevelmente de inimigo público, não aguenta mais a situação a qual é submetido diariamente". "Não apenas pipocam diariamente na imprensa notícias sobre seu iminente encarceramento, mas também todos os dias surgem novos depoimentos que, ainda segundo a mídia, complicariam a situação do peticionário", diz trecho do pedido.
Os defensores também destacam que, apesar dos pedidos formais para que fosse ouvido pelos procuradores da força-tarefa do MPF dentro das investigações, nenhum esforço nesse sentido foi sinalizado. "José Dirceu nunca pôde, até o momento, mesmo querendo, explicar quaisquer dúvidas porventura existentes quanto a seus negócios, realizados no passado."
O advogado Roberto Podval e seus auxiliares, que assinam a petição, lembram ainda que Dirceu respondeu ao processo do mensalão em liberdade e que jamais demonstrou intenção de fugir. A defesa destaca que mesmo após o trânsito em julgado do caso e com a expedição de mandado de prisão pelo Supremo Tribunal Federal à época, "apresentou-se espontaneamente para ser preso, e vem cumprindo rigorosamente sua pena".
A PF abriu um inquérito dentro da Lava Jato para investigar o ex-ministro devido a pagamentos de aproximadamente R$ 9,5 milhões que ele teria recebido por meio de sua empresa de consultoria, de empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras. Ele abriu a JD Assessoria depois de deixar o governo Lula. Além dos depoimentos de Júlio Camargo, outros fatos que pesam contra Dirceu é que o último delator, o lobista Milton Pascowitchm, também confirmou que parte dos pagamentos intermediados por ele à consultoria eram propina. O ex-ministro e sua defesa sempre negaram as acusações.
Dirceu já ingressou com o pedido de habeas corpus preventivo para evitar a prisão. Em caráter liminar, no entanto, o habeas corpus foi negado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Para complementar, os defensores de Dirceu, reforçam que para caracterizar de vez como "suplício a situação psicológica que se encontra o ex-ministro", uma van de uma rede de televisão passou toda a última terça-feira estacionada em frente à sua residência, "certamente aguardando a tão esperada prisão".
"José Dirceu não vai fugir. Como se vê, ironicamente, seu local é tão certo e sabido, que até a imprensa aguarda a chegada da polícia federal em sua porta. Nada mais desnecessário", finalizam os advogados na petição.


