Brasília - O ministro da Casa Civil, José Dirceu, confidenciou a pelo menos três dirigentes do PT, na semana passada, que se sentia ''bloqueado'' no governo. Ele não gostou nada de assistir, por exemplo, à articulação do chefe da Secretaria de Comunicação do Governo (Secom), Luiz Gushiken, para contornar a crise provocada pela rota de colisão entre os ministros Roberto Rodrigues (Agricultura) e Guido Mantega (Planejamento). Acha que a tarefa de apagar o incêndio era de sua alçada, e não da Secom.
Rodrigues chamou Mantega de ''vagabundo'' e reclamou que não conseguia falar com o colega. No sábado, dia 20, por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gushiken foi acionado para apaziguar os ânimos. Conversou com Rodrigues e negociou com ele, pessoalmente, a redação de uma nota oficial amenizando o episódio.
Dirceu se sentiu ainda mais desprestigiado, pois ''missões'' como esta sempre foram conduzidas por ele. Em conversa por telefone com velhos amigos do PT em São Paulo, na quarta-feira, contou que a situação estava muito difícil. Parecendo amargurado, afirmou que poderia pedir demissão. A quem entrava em seu gabinete no Palácio do Planalto, porém, ele negava a intenção com a mesma frase. ''O que eu posso fazer se falam isso?'', perguntava.
Os atritos entre Dirceu e Gushiken não são de hoje, embora, para consumo externo, os dois neguem divergências. A dirigentes do PT, Gushiken chegou a perguntar como reagiriam se Dirceu fosse defenestrado. Ouviu como resposta que o partido apóia o ministro da Casa Civil, mas concorda em dar uma trégua nas cobranças a Palocci, por mudanças nos rumos da política econômica, para não prejudicar ainda mais o governo.
''Se estão havendo esses ruídos, eu estou surdo ou me faço de surdo'', desconversa o ministro da Educação, Tarso Genro. Cotado para ser o novo líder do governo na Câmara, no lugar de Miro Teixeira (PPS-RJ), o deputado Professor Luizinho (PT-SP) garante que haverá ''unidade total'' na defesa do Planalto e dá a entender que concorda com a estratégia de ataque aos tucanos, promovida por Dirceu. ''Não vamos ficar na defensiva'', diz Luizinho. E conclui: ''Guerra é guerra.''

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