José Dirceu ameaça deixar governo
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sábado, 11 de junho de 2005
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - Cada vez mais contrariado com os rumos do governo, o ministro José Dirceu voltou a falar em deixar a Casa Civil. Deputado licenciado, Dirceu havia garantido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não disputaria a reeleição para a Câmara, em 2006 circunstância que obriga todo integrante de cargo público a desocupar a cadeira em abril. Agora, no entanto, a situação mudou. A crise política provocada pelas denúncias do presidente do PTB, Roberto Jefferson, abateu profundamente Dirceu.
O ministro, que chegou a manifestar publicamente seu desconforto depois de ter negociado com os aliados a fracassada reforma ministerial, não consegue mais esconder a angústia. Muito aborrecido, também retomou as costumeiras estocadas na política econômica. A amigos, Dirceu desabafou: disse com todas as letras que, se o seu nome for citado numa eventual CPI para apurar denúncia de compra de votos, sairá do cargo para se defender.
Nas conversas, o ministro também tem reclamado de isolamento. Ficou aborrecido, por exemplo, com o fato de não ter sido consultado pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para a indicação do novo procurador-geral da República, que deve ser Antonio Fernando Barros e Silva de Souza. Foi Lula que incumbiu Thomaz Bastos da missão de escolher o nome.
Em contrapartida, num movimento inédito, o chefe da Casa Civil aliou-se ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, com quem vivia às turras. Se antes da crise ele já tinha dificuldade de reassumir a função ocupada por Aldo por causa do péssimo relacionamento com a oposição , agora, com a temperatura subindo a cada dia, as chances foram sepultadas. ''Afasta de mim esse cálice!'', exclamou Dirceu numa reunião da ala moderada do PT, há dois meses, quando petistas clamavam por seu retorno à articulação política.
Desde que apareceu a primeira denúncia de um esquema de corrupção nos Correios, há quase um mês, Dirceu e Aldo uniram esforços. Foram juntos conversar com Jefferson, numa operação tão mal-sucedida que dias depois o deputado acusou o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de pagar mesada a parlamentares, em troca de apoio ao governo no Congresso.
Jefferson citou o nome de Dirceu nas acusações. Mais: garantiu que o avisou sobre o ''mensalão'' no início de 2004. ''O Zé deu um soco na mesa: 'O Delúbio está errado. Isso não pode acontecer. Eu falei para não fazer' '', afirmou o presidente do PTB há uma semana. Dirceu nega que essa conversa tenha ocorrido.


