Os cem primeiros dias da administração do prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT), de Maringá, foram basicamente para colocar a casa em ordem. ‘‘Até o aniversário de Maringá (10 de maio) estaremos com a cidade em ordem no que se refere a conservação’’, afirmou à Folha. Ele acha que diante das condições que encontrou o município, está conseguindo fazer muito. A Prefeitura de Maringá sofreu um rombo que deve passar dos R$ 100 milhões nos últimos 15 anos, tem uma das maiores dívidas entre os municípios do País (R$ 220 milhões), e a cidade estava ‘‘abandonada’’.
José Cláudio cita como exemplo do que já foi feito a melhoria no Lixão, o tapa-buracos, a troca de lâmpadas e a disponibilidade de medicamentos nos postos de saúde. O Lixão foi dividido em áreas monitoradas e os menores retirados do serviço de coleta de material para reciclagem. Praticamente todas as ruas e avenidas receberam o serviço de tapa-buracos. A troca de lâmpadas está em fase final de recuperação e a compra de medicamentos passou de R$ 80 mil para os atuais R$ 150 mil por mês.
O principal obstáculo neste período, além dos já citados, segundo José Cláudio, foi o tempo. ‘‘A chuva em excesso impediu a administração em avançar ainda mais na realização de serviços urbanos’’, explica. O prefeito reclama também do que classifica como ‘‘desorganização administrativa’’ que encontrou. Com o novo organograma, já aprovado pela Câmara, criando novas secretarias, ele acha que vai poder melhorar as condições da máquina pública. Foram criadas as secretarias de Agricultura e de Cultura.
A partir do segundo semestre, José Cláudio acredita na condições de imprimir uma administração mais próxima do projeto do PT. A falta de recursos sentidas no início do governo começa também a ser superada com a arrecadação própria. ‘‘Já podemos pensar em melhorias em algumas áreas, como na educação’’, adianta. Para o prefeito, é ponto de honra garantir os 25% do orçamento para a educação. ‘‘Teremos em Maringá a melhor escola pública municipal do País’’, promete.
O Orçamento Participativo, que está em fase de implantação, é outra expectativa de melhoria da administração para o segundo semestre. ‘‘A partir de maio vamos deixar claro que as principais decisões sobre os destinos da cidade terão a participação da comunidade’’, avisou. O lado negativo dos cem dias, além das heranças encontradas por José Cláudio, começaram apenas no início de abril. O primeiro episódio foi a saída do assessor de imprensa da prefeitura, Raí de Oliveira, que alegou motivos pessoais.
Outro problema enfrentado pela administração, no início da última semana, foi a advertência dos coletores de lixo. Na segunda-feira eles atrasaram o início dos trabalhos, em protesto contra a falta de condições. O município promete contratar mais pessoal e melhorar a estrutura de coleta.

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