José Cláudio fica sem maioria na Câmara
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terça-feira, 02 de janeiro de 2001
Lucinéia Parra De Maringá 
O prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), teve ontem a primeira derrota política. Todos os cargos da Câmara Municipal, da presidência ao terceiro secretário, serão ocupados por vereadores do grupo do ex-prefeito em exercício João John Alves Correa (PMDB), ligado ao prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido).
Em seu discurso de posse, José Cláudio evitou criticar a composição da mesa do Legislativo, mas lamentou o trabalho dos ex-vereadores, com algumas exceções, segundo ele, que durante o governo de Gianoto ficaram surdos, mudos e cegos aos atos do poder Executivo. Gianoto foi afastado e responde processo por improbidade administrativa. O rombo na prefeitura pode chegar a R$ 100 milhões.
José Cláudio disse que Maringá foi saqueada pela ação do governo, mas reafirmou todas as propostas de campanha. A corrupção neste País não é surpresa ao PT, mas apesar dos desfalques nós vamos administrar com ética, responsabilidade e honestidade.
Ao novo presidente da Câmara, Walter Luiz Guerlles (PSDB), José Claudio desejou bom trabalho e em seguida cobrou dele e do vereador reeleito John Alves uma auditoria no Legislativo. A auditoria, conforme John, será proposta por ele no primeiro requerimento da Câmara este ano.
Mas só vou pedir auditoria nos dois últimos anos quando eu fui presidente e aí eu vou provar para estes vagabundos que eu sou honesto, disse, referindo-se ao público que lotou o plenário da Câmara e que vaiou a composição da mesa do Legislativo.
A eleição de Guerlles como presidente da Câmara não foi surpresa para quem acompanhava os bastidores, mas deixou os vereadores do PT e dos partidos de apoio a José Claudio bastante irritados.
João Batista Beltrame Joba (PMDB) era um dos mais inconformados. Eles (vereadores), continuam com a velha maneira de fazer política, desabafou. Edson Roberto Brescansin (PT), indicado pelo partido para ser o 1º secretário, participou da votação para presidente da Câmara já demonstrando indignação. Apesar da votação ser secreta, ele mostrou seu voto.
A iniciativa de Brescansin foi imitada pelos vereadores de oposição com frases de efeito pedindo a moralização da Câmara. O grupo de apoio ao prefeito José Cláudio é formado por 10 vereadores que queriam como presidente do Legislativo Edmar de Souza Arruda (PFL).
A grande surpresa para o público presente foi a escolha do vereador reeleito Paulo Mantovani (PSDB) para 1º secretário. Mantovani foi o vereador mais vaiado pela platéia durante a solenidade de posse. Ele fazia parte do grupo governista do prefeito afastado Jairo Gianoto. John também foi várias vezes vaiado, mas o vereador Antonio Carlos Marcolin (PTB) foi batizado pelo público de vendido.
Conforme a Folha apurou, o voto dele foi decisivo para a eleição dos vereadores de oposição para a composição da mesa do Legislativo. Depois de eleito a gente não tem mais compromisso com a oposição ou com a situação. Nosso compromisso é com o bem da coletividade, disse Marcolin à Folha.


