Maringá O prefeito licenciado de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT) deixou de lado uma postura amena em relação ao deputado federal Ricardo Barros (PPB) e decidiu reagir às críticas do parlamentar à administração. José Cláudio prometeu a divulgação de um relatório minucioso sobre a herança em dívidas de R$ 170 milhões das últimas cinco gestões, entre elas, a de Barros, foi prefeito de Maringá de 1989 a 1992. A crise política começou depois de declarações de Barros afirmando que se a prefeitura estancou a ''roubalheira do dinheiro público'' deveria ter recursos para obras.
José Cláudio disse ontem que não aguentou o questionamento de Barros que ''posa de bom político mas é um dos responsáveis pelo cofre combalido da prefeitura''. ''Para mim o Ricardo Barros não é ninguém e agora vou trazer à tona a responsabilidade dele pelas dívidas de Maringá'', afirmou o prefeito, que está licenciado por problemas de saúde, mas comparece à prefeitura. ''Pelo levantamento vou responder para onde foi o dinheiro de Maringá'', ressaltou.
Segundo José Cláudio, desde as primeiras reuniões do Orçamento Participativo, representantes da administração mostram para a população a situação financeira do município. ''Maringá é amarrada aos governos estadual e federal porque os juros dos financiamentos anteriores são descontados e para nós não sobra outra opção a não ser pagá-las, no lugar de fazer mais obras'', declarou o prefeito.
José Cláudio afirmou que por causa dessas dívidas, o município paga mensalmente R$ 2,2 milhões de amortizações. São 102 contratos firmados pelas gestões anteriores com bancos como a Caixa Econômica Federal e o antigo Banestado. A dívida mais antiga é da gestão 1977/1982, do ex-prefeito João Paulino Vieira Filho que financiou o asfalto do Jardim Alvorada. José Cláudio promete um dossiê completo também das duas administrações de Said Ferreira (1983/1988 e 1993/1996) e de Jairo Gianoto (1997/2000).
Conforme o prefeito, o município está engessado e a atual administração só consegue realizar obras com recursos próprios. Desde o início da gestão foram R$ 22 milhões próprios, além de R$ 14 milhões previstos para este ano. ''Colocamos 5 mil crianças em creches e fazemos obras sem deixar dívidas, mas isso ninguém quer discutir'', disse. Em 2002, Maringá foi o primeiro município brasileiro a conseguir na Justiça uma redução de uma dívida de R$ 74 milhões para R$ 22 milhões. A Folha tentou ontem conversar com Barros, que estava em Maringá, mas ele não se pronunciou.

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