O prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), está otimista com a administração do terceiro maior município do Paraná, mesmo diante de uma dívida de R$ 220 milhões e uma receita em torno de R$ 100 milhões. Segundo ele, o otimismo se deve ao trabalho harmonioso e eficiente da equipe que nestes primeiros 30 dias conseguiu mostrar o estilo da administração petista. É a primeira vez que o PT conquista o Executivo de Maringá.
José Cláudio disse à Folha que uma das prioridades tem sido a organização da máquina administrativa que estava, afirma ele, ‘‘violentamente desestruturada’’ para favorecer o desvio de dinheiro público. ‘‘A desorganização foi realizada para permitir os desvios porque sabemos que a corrupção não cabe em uma estrutura administrativa perfeita’’, ressaltou.
Na sexta-feira, José Cláudio recebeu oficialmente do Tribunal de Contas (TC) do Paraná o relatório constatando o rombo de R$ 54,3 milhões, promovido pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, e pelo ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). José Cláudio acredita que o volume de desvio seja muito maior porque a auditoria do TC não verificou licitações, contratos e convênios e se deteve apenas na parte contábil.
Além de evitar a corrupção, um dos benefícios do trabalho de organização administrativa, conforme o prefeito, é a economia prevista de R$ 10 milhões já para este primeiro ano. A economia, explica José Cláudio, também é consequência do ajuste da folha com a redução de cargos comissionados, cancelamento de pagamentos indevidos e cortes na propaganda oficial. Atitudes administrativas, como o acordo com os bancos reduzindo de R$ 1,00 para R$ 0,50 o valor cobrado pela compensação de títulos da prefeitura também colaboram na economia.
José Cláudio também pretende dar uma resposta rápida para questões anunciadas durante a campanha e consideradas polêmicas. Uma delas é o fim do contrato com a empresa que administra o parquímetro – sistema eletrônico para controlar vagas de estacionamento na área central.
‘‘Com a empresa que fazia a cobrança de impostos para o município, a administração tinha um contrato caipira’’, observou José Cláudio. ‘‘Mas com a empresa do parquímetro, o contrato foi feito com especialistas amarrando de tal forma as condições que a prefeitura não pode romper de qualquer jeito sob pena de multas fabulosas’’, lamentou.
Já com relação ao fim do monopólio com a Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC), empresa que atua em Maringá há mais de 20 anos, José Cláudio garantiu que o caso é claro e definitivo. ‘‘Também estamos analisando as condições do contrato e o nosso primeiro passo é a criação de um Conselho Municipal de Transportes que será gestor na área’’, disse. Segundo José Cláudio, o objetivo da prefeitura é abrir licitações para que mais empresas possam atuar e abrir novas linhas no transporte coletivo.
Conforme o prefeito, outras prioridades são nas áreas de saúde, serviços públicos e meio ambiente. ‘‘Dentro de seis meses queremos ver a maternidade construída funcionando e o lixão municipal revitalizado’’, disse o prefeito. Ele afirma que a construção do aterro sanitário, exigida em ação judicial, será por meio de um consórcio com municípios vizinhos.
Além da maternidada, outra medida na área da saúde é o trabalho emergencial iniciado pela secretaria para reduzir as filas de consultas a médicos especialistas. Em média, dependendo da especialidade, um doente em Maringá fica até quatro meses à espera de uma consulta.

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