Um grupo de funcionários da Monreal, responsável pela cobrança de impostos da Prefeitura de Maringá, protestou ontem contra a atitude do prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) em romper o contrato com a empresa. O rompimento foi anunciado anteontem. Mais de 20 funcionários, convocados pelo gerente de produção da Monreal, Sérgio Cristófolli, fizeram um ‘‘apelo’’ para que ele não quebrasse o contrato e optasse apenas por uma revisão das cláusulas, mas foi em vão. José Cláudio reafirmou que o contrato será encerrado.
A Monreal foi contratada pelo ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) e começou a operar em junho de 1999. Gianoto justificou, na ocasião, que somente a terceirização da cobrança poderia reduzir o índice de 20% de inadimplentes e permitir o recebimento de mais de R$ 40 milhões de impostos atrasados.
Segundo a secretaria municipal de Fazenda, hoje a prefeitura tem a receber cerca de R$ 72 milhões em impostos, taxas e tributos atrasados. Grande parte dos devedores são do ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Relatórios da secretaria mostram também que desde que foi contratada, a Monreal não conseguiu reduzir ‘‘em nada’’ a inadimplência.
Durante o encontro com José Cláudio, a Monreal falou da possibilidade de reduzir a porcentagem de 14,77% a que tem direito sobre o pagamento de cada dívida recebida. Os funcionários da empresa chegaram a argumentar que sendo o prefeito do Partido dos Trabalhadores, José Cláudio não poderia permitir o desemprego com o rompimento do contrato. A Monreal emprega 40 pessoas.
Para José Cláudio, ‘‘o serviço público não deve tutelar o privado’’. ‘‘Não vou também demitir nossos funcionários para manter a empresa’’, afirmou. Ele lembrou que pelo menos 40 servidores, que eram responsáveis pela cobrança de impostos, ficaram parados por causa do contrato. ‘‘Não vou pagar duas vezes pelo mesmo serviço até em respeito à população’’, disse.
José Cláudio lamentou ainda o fato da Monreal, cuja sede é de Santa Catarina, ter vindo para Maringá visando lucro apenas com o poder público. ‘‘Como empresa privada de cobrança poderia ter aberto outros mercados e conquistado mais fornecedores, garantindo assim o emprego dos funcionários’’, lembrou. Ele foi enfático e afirmou que os documentos da Monreal estão na assessoria jurídica da prefeitura para adequar-se às formalidades do rompimento do contrato.
O gerente da Monreal assumiu pela primeira vez que ‘‘acertos políticos’’ impediram a cobrança de grandes devedores. Ele usou este argumento para explicar por que não conseguiu reduzir a inadimplência. O prefeito acusou a empresa de omissa. ‘‘Se existia ingerência política do ex-prefeito vocês deveriam ter denunciado na ocasião’’, rebateu.
Segundo o prefeito, os funcionários da empresa acabaram sendo ‘‘usados politicamente’’ pela administração passada. Conforme o gerente, a empresa recebia da prefeitura a listagem dos devedores e não fazia cobrança diferenciada. ‘‘Sei que grandes devedores não constavam na lista e escapavam da cobrança, mas não sei exatamente quem são’’, desconversou o gerente. (M.M.)

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