José Carlos será julgado quinta-feira
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sábado, 21 de junho de 1997
Conceição Freitas Correio Braziliense Brasília 
Arquivo FolhaBanco dos réusJosé Carlos, preso há três anos e oito meses: promotor irá pedir condenação de 33 anos de prisão Quatro anos, seis meses e sete dias depois do assassinato de Ana Elizabeth Lofrano Alves dos Santos, o marido dela, o economista José Carlos Alves dos Santos, será julgado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O julgamento está marcado para a próxima quinta-feira a partir das 13 horas, no Fórum de Planaltina, cidade satélite a 45 km do Plano Piloto.
José Carlos está preso há três anos e oito meses. Depois do desaparecimento da mulher, o economista passou a ser investigado pela polícia. Acusado de possuir dólares falsos, de ter uma casa de prostituição, de tráfico de drogas e de estelionato (todos esses inquéritos foram arquivados), José Carlos denunciou parlamentares, governadores e ex-ministros de participarem de um poderoso esquema de roubo do dinheiro público. O economista havia sido diretor da Comissão Mista de Orçamento do Congresso e diretor da Comissão de Orçamento da União.
O promotor José Zacharias Mustafa Neto chega ao júri disposto a condenar José Carlos a até 33 anos anos de prisão, 30 por homicídio qualificado, com os agravantes de ter matado a própria mulher e ter organizado a empreitada, e três por ocultação de cadáver. Zacharias Neto já conseguiu a condenação dos dois outros acusados, o detetive Lindauro da Silva e o mecânico Valdei José de Souza, o primeiro a 21 anos de prisão, o segundo, a 16. Lindauro e Valdei foram julgados em 26 de novembro de 1995.
Os advogados de defesa, Heraldo Paupério e Joaquim Flávio, vão tentar convencer os jurados de que José Carlos não participou do assassinato da mulher e de que os anões do Orçamento (deputados que participavam da Comissão) eram os interessados na morte de Ana Elizabeth. Isso porque ela não só sabia da trama para beneficiar entidades e empreiteiras na distribuição do dinheiro da União como ameaçava denunciar os parlamentares envolvidos na falcatrua.
A acusação vai se apoiar na tese de que José Carlos matou a mulher para ficar com a amante, a advogada Crislene Lima de Oliveira. A defesa vai argumentar que Crislene era mais uma das muitas amigas de José Carlos e que Ana Elizabeth era uma mulher que não aceitava corrupção, tanto que já havia denunciado a compra irregular de computadores no MEC onde exercia o cargo de subsecretaria de Planejamento Setorial. Por isso, os anões do Orçamento decidiram matá-la.
A ossada de Ana Elizabeth foi encontrada na madrugada de 28 de novembro de 1993 em área pertencente à jurisdição da cidade-satélite. Conforme determina o Código de Processo Penal, sete jurados serão escolhidos entre um grupo de 21 já sorteados no início do mês. Por lei, devem ser maiores de 21 anos, alfabetizados e sem antecedentes criminais. Entre os 21, onze são homens e dez, mulheres. A maioria é professor (seis) e funcionário público (quatro). Há também um geólogo, um estivador e um lavrador.
São três as testemunhas de acusação: o delegado Luiz Julião Ribeiro, que chefiou parte das investigações, o médico-legista Aloísio Trindade Filho, que fez o laudo cadavérico, e a professora aposentada Marília Fonseca, confidente de Ana Elizabeth. Vão depor como testemunhas de defesa do réu a filha dele, a médica Adriana Lofrano Alves Porto, a advogada Crislene Lima de Oliveira (ex-amante), Christiane Vieira da Silva (uma das moças que frequentava a garçonniSre de José Carlos), o capitão da Polícia Militar Leonardo Moraes e o advogado Aidano Faria.
A defesa chega ao júri com um parecer técnico feito pelo advogado Aidano Faria. O parecer contesta as conclusões dos laudos da reconstituição feita por Lindauro e Valdei, os dois condenados. As contestações serão apresentada durante o julgamento. A defesa vai entregar aos sete jurados um calhamaço de quase 300 páginas onde está descrita todas as contradições entre os depoimentos de Lindauro e Valdei.


