Em depoimento no julgamento do economista e ex-diretor de Orçamento do Congresso José Carlos Alves dos Santos, Adriana Porto, filha do réu, disse ontem que o pai se ‘‘deslumbrou’’ com o dinheiro da corrupção, ‘‘magoou’’ ela e a mãe com suas amantes e se afastou da família. Mas afirmou que acredita na inocência do economista. José Carlos é acusado de matar a mulher, Ana Elizabeth Lofrano, para ficar com a amante Crislene Oliveira. Os assassinos confessos, Lindauro da Silva (detetive) e Valdei de Souza (mecânico), o apontaram como o mandante. Antes do crime, o economista contratou Lindauro para seguir Crislene.
‘‘A minha maior decepção (com José Carlos) foi o envolvimento dele com os assassinos de minha mãe por causa de Crislene. Daí a dizer que ele mandou matar é outra história’’, disse Adriana. ‘‘É muito difícil entrar na minha cabeça que meu pai mandou matar. Nesse tempo todo, eu o pressionei muito. Se tivesse alguma coisa (sobre o envolvimento dele no crime), ele já tinha deixado escapar’’, completou.
José Carlos teve uma crise de choro durante o depoimento da filha. O juiz permitiu que ele saísse do plenário, interrompendo o julgamento por dez minutos. Na saída, o economista apertou a mão de Adriana, que também chorava. Consultada pelo juiz Ademar Vasconcelos, ela só aceitou voltar a falar na presença do pai. ‘‘Ele (José Carlos) saiu porque tem vergonha do que fez’’, disse Adriana.
Adriana iniciou o depoimento com um discurso, sem esperar as perguntas do juiz. ‘‘Mais do que ninguém, eu gostaria de ver a verdade aqui dentro. Não tenho respostas para muitas perguntas, e tenho dúvidas sobre tantas outras.’’ Ela disse que se sentia incomodada com o trabalho do pai como diretor de Orçamento do Congresso. ‘‘A gente era mais feliz sem deputado enchendo a paciência.’’

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