Agência Estado
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ConquistadorJosé Carlos (dir.) depõe ao lado de seu advogado: juiz desiste de ler lista das amantes ao chegar ao 11º nomeO depoimento de dez horas de José Carlos Alves dos Santos e a leitura de quase 500 páginas do processo, na última quinta e sexta-feira, revelaram que a história do economista resumia-se a tráfico de influência, poder político, dinheiro e sexo.
Em novembro de 1992, José Carlos, que denunciaria no ano seguinte os ‘‘anões’’ do Orçamento, não comunicou o suposto sequestro da mulher, Ana Elizabeth Lofrano, a uma delegacia de polícia, como se faz usualmente. Acionou um coronel amigo e, por intermédio deste, o próprio secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (DF) na época, o também coronel João Brochado.
O economista que enfrenta um júri popular na modesta cidade-satélite de Planaltina, por assassinato premeditado da própria mulher, não tinha uma vida comum. Seu círculo pessoal era o do tráfico de influência; sua moeda era o dólar e não o cruzeiro; seus amigos eram o presidente ou o ex-presidente do Senado, senadores e deputados; sua vida privada era compartilhada com um harém de amigas e ex-alunas, além da mulher, que ele teria mandado matar por razões ainda não esclarecidas.
Preso em uma armadilha policial sob acusação de porte de dólares falsos e tráfico de drogas, José Carlos acabou por responder pelo assassinato da mulher, funcionária pública como ele, porém de poder infinitamente menor. Ana Elizabeth tomava conta de um setor do Ministério da Educação; José Carlos era a maior autoridade na área do Orçamento da União, no Senado. Posteriormente, chegou ao cargo de diretor-geral do Orçamento da União, agora do Poder Executivo.
‘‘O senhor falava diretamente com o presidente do Senado? perguntou o juiz Ademar de Vasconcelos a José Carlos, logo depois de ouvir do economista a informação de que a polícia o havia mandado ficar calado e não comentar nada sobre o possível sequestro de Ana Elizabeth. ‘‘Falava’’, respondeu José Carlos. ‘‘Então por que o senhor não procurou o presidente do Senado ou mesmo a segurança para fazer a denúncia do sequestro de sua mulher? perguntou o juiz. José Carlos disse que a segurança do Senado não é polícia. ‘‘Senhor José Carlos, pela Constituição, a segurança do Senado é polícia também’’, respondeu o juiz.
No depoimento, José Carlos contou que tinha dezenas de amantes. Eram tantas, relacionadas em uma lista escrita pelo próprio José Carlos, que o juiz, ao chegar à 11ª, desistiu de ler o nome das demais. A principal, conforme os autos, era Crislene de Oliveira, arrolada como testemunha de defesa. Sem ao menos saber o sobrenome dela, ou onde morava, José Carlos emprestou US$ 40 mil, para que um irmão da namorada comprasse um avião.
De acordo com o depoimento de José Carlos, dinheiro não era problema. Havia uma mala de dólares, que somava cerca de US$ 1 milhão, guardada em sua casa. O dinheiro não era gasto porque deveria ser antes legalizado. Ao ser preso, José Carlos estava cuidando desta operação. Disse que simulava a venda de bens e emitia recibos para lavar o dinheiro. Posteriormente, os amigos devolveriam automóveis, lotes, terrenos. Os dólares foram apreendidos em 1993 pelos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento, a partir de informações fornecidas pelo próprio José Carlos.

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