Curitiba - O PMDB nacional é o mais novo partido citado como um dos beneficiados do esquema conhecido como mensalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No domingo, a ex-secretária do publicitário Marcos Valério de Souza Fernanda Karina Somaggio contou que um dos deputados federais que mais mantinha contato com o publicitário era o paranaense José Borba, líder do PMDB na Câmara Federal.
Ela contou numa entrevista exclusiva ao programa ''Fantástico'', da TV Globo, que os dois se falavam semanalmente e se encontraram pelo menos três vezes, em Brasília. Numa das reuniões, Borba teria recebido uma mala com dinheiro. Borba é o segundo representante do Norte do Estado, ao lado do líder do PP na Câmara, José Janene, a figurar nas denúncias do mensalão.
José Borba nega que mantinha contato com Valério. Ontem, o governador Roberto Requião (PMDB) argumentou que acha salutar que as denúncias venham a público e que as investigações sejam rigorosas no sentido de punir todos os envolvimentos em corrupção direta e indireta em Brasília. ''A compra de votos é séria e merece uma investigação aprofundada. É um caso a mais para investigação da Polícia Federal e do Ministério Público federal. A verdade é que o modelo econômico e a política do governo Lula tenham influenciado em toda essa compra de votos em Brasília. Ninguém precisa comprar ninguém quando a política econômica é forte'', ponderou Requião.
O governador criticou a postura dos congressistas que se deixam corromper em troca de apoio político. ''Esse problema é do Congresso Nacional e precisa ser resolvido internamente para evitar novos casos de troca de apoio por verbas ou benefícios. Mas a verdade é que a política econômica também precisa mudar'', complementou. Requião se coloca contra o apoio do PMDB ao governo Lula em troca de ministérios.
Amanhã, Requião irá se encontrar com outros governadores do partido para discutir a situação política do país. A intenção é evitar o acordo com o governo Lula, preconizado por Borba e pela bancada do Senado liderada pelo ex-presidente José Sarney. Ele acredita que o partido não precisa de cargos para dar sustentação ao governo Lula. Ministérios poderiam representar, para o governador, vinculação política. Isso enfraqueceria a tese de lançamento de candidatura própria do PMDB à presidência da República nas eleições do ano que vem.
A Folha tentou contato com Borba para que ele comentasse as declarações do governador. Porém, segundo sua assessoria em Brasília, ele não falaria sobre o assunto ontem.

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