Brasília - Depois de questionar a competência do Banco Central e ser advertido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tom de suas críticas à política econômica do governo, o vice José Alencar (PL) – que ocupa interinamente a Presidência – voltou a defender, de forma mais cautelosa, a redução da taxa básica de juros em audiência com empresários do setor gráfico. Segundo os relatos, Alencar teria expressado consciência das expectativas de Lula enquanto ocupa o gabinete presidencial.
  Provocado por empresários da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), Alencar defendeu uma taxa de juros de 18% a 19%. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa em 26,5%. No mesmo dia, Alencar disse que não estava ‘‘convencido’’ das razões do BC e que continuaria pregando a redução dos juros.
  ‘‘Considerando uma taxa de juros americana, acrescida do risco-país em seu ponto máximo de 800 pontos e uma previsão de inflação pessimista, de 8% ou 9%, teríamos uma taxa de 18% ou 19%’’, teria dito Alencar, segundo Mário de Camargo, presidente nacional da Abigraf.
  ‘‘Ele (Alencar) fez uma análise muito clara do que seria uma política de juros vista pelos olhos do mercado, mas com índices razoáveis’’, explicou Camargo. O vice voltou a reclamar do custo do juros altos para o país. ‘‘Ele colocou claramente sua posição econômica e mostrou que cada ponto percentual de juros que o país paga significa R$ 9 bilhões por ano’’, disse Alfried Plger, presidente da Abigraf-SP. Os empresários expressaram apoio público à posição de Alencar.
  Alencar permanece na Presidência até durante o fim de semana, devido à viagem de Lula para a Argentina para a posse de Néstor Kirschner.

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