Brasília - O presidente em exercício, José Alencar, rebateu ontem a acusação de favorecimento na contratação de um médico residente no Instituto de Traumato-Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. A denúncia veio a público esta semana, depois que o presidente do Into, Sérgio Cortês da Silveira, disse não ter acatado o pedido da vice-presidência da República para aprovar o futuro residente.
Durante reunião com o diretor do Instituto, vários parlamentares e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto, Alencar pediu a presença da imprensa para esclarecer a acusação de que a carta encaminhada ao Instituto pela chefia de gabinete da vice-presidência da República tinha o objetivo de pressionar o Into para garantir a aprovação do candidato. ''Todo homem público tem no seu gabinete uma secretaria para receber correspondências de todos que lhe dirigem. O encaminhamento desses pedidos não significa pressão. É rotina'', explicou Alencar.
O presidente em exercício afirmou que não tinha conhecimento que o pedido se referia a um concurso público, e garantiu que faz parte dos deveres dos homens públicos atender solicitações de pessoas que passam por dificuldades - especialmente neste caso, já que Alencar disse ser amigo pessoal do avô do aluno desde 1958. Alencar admitiu ser ''muito comum'' receber pedidos em seu gabinete de pessoas pedindo a intervenção do governo para solucionar os seus problemas. Mas foi taxativo ao afirmar que mesmo quando os pedidos são encaminhados pela vice-presidência, isso não representa qualquer tipo de pressão.
O presidente do Into, Sérgio Côrtes, disse que depois que o candidato foi reprovado no concurso da residência, em nenhum momento a vice-presidência se manifestou solicitando a aprovação do estudante. ''Em absoluto houve qualquer tipo de pressão para que esse candidato seja aprovado'', garantiu.
O Ministério Público já está investigando o caso.

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