Rio - O vice-presidente José Alencar (PRB) anunciou ontem que o tratamento contra o câncer está evoluindo e que o tamanho dos seus tumores na região abdominal já foi reduzido em 51% desde setembro. Otimista, disse que se estiver curado poderá disputar as eleições do ano que vem, concorrendo a uma vaga ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Alencar afirmou que recebeu com surpresa, na quarta-feira, os resultados dos últimos exames que fez no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
''Se eu estiver curado e as lideranças e o povo quiserem, eu aceito (disputar as eleições). Eu tenho a experiência do setor privado, experiência no Senado, do Poder Executivo, como vice-presidente, então, eu posso levar alguma contribuição. Mas isso se eu estiver curado e em condições de exercer o meu mandato'', disse o vice-presidente, após participar da posse da nova diretoria do Clube de Engenharia, no Rio, onde também foi homenageado.
Alencar emocionou as pessoas que participavam da solenidade ao comentar sobre a doença e a evolução do tratamento. Disse achar admirável a corrente de orações em seu favor e pediu ao povo que mantenha a fé na sua cura. ''O tumor não é brincadeira. É recorrente e muito agressivo. Mas nós não temos medo dele. E a fé em Deus eu tenho muito clara'', explicou Alencar. ''Se Deus quiser me levar, Ele não precisa do câncer para isso. Se Ele não quiser me levar por enquanto, não há câncer nenhum que me leve.''
O vice-presidente lembrou que chegou a servir de cobaia, no primeiro semestre, para um tratamento ainda em fase experimental no Estados Unidos. Segundo ele, no entanto, os medicamentos ministrados não apresentam resultado efetivo. Em setembro, ele voltou a fazer sessões de quimioterapia combinadas com um coquetel de medicamentos via oral. ''É uma vitória. Se ele continuar caindo, daqui a pouco nós vamos poder colocar o verbo no passado: havia um câncer no Zé Alencar'', disse, sempre demonstrando otimismo e bom humor.
Aos 78 anos, Alencar enfrenta o câncer há 12. Já passou por 15 cirurgias para retirada de tumores. A mais grave ocorreu em janeiro. Durou 18 horas. Os médicos retiraram partes dos intestinos delgado e grosso e dois terços do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Havia um tumor de cerca de 12 centímetros de diâmetro e outros 8 tumores menores.
De acordo com o oncologista Paulo Hoff, que coordena a equipe de médicos que cuida do vice-presidente, Alencar tem respondido ''excepcionalmente bem ao tratamento''. Ele deve passar por uma nova bateria de exames no final de janeiro ou início de fevereiro. ''Pela complexidade do caso, essa resposta nos deixou muito felizes. Melhor que as nossas expectativas iniciais'', explicou Hoff. ''Os tumores reduziram de tamanho substancialmente''. O médico, no entanto, preferiu não fazer um prognóstico sobre as possibilidade de Alencar ficar totalmente curado. ''É muito prematuro para isso''.

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