Buenos Aires - A decisão do governo brasileiro de cancelar o visto temporário do correspondente do jornal ''The New York Times'', Larry Rother, é manchete dos principais jornais argentinos, que desde a última segunda-feira tem destacado o assunto. O jornal argentino La Nación diferenciou-se em sua cobertura ao recordar que Larry Rohter também provocou polêmicas na Argentina, em julho de 2002, ao publicar um artigo implicando o ex-presidente Carlos Menem no atentado contra a sede da associação israelita-Amia. No mencionado artigo, Rohter baseou-se em informações de uma testemunha iraniana para acusar Carlos Menem de ter recebido um suborno de US$ 10 milhões ''para formular declarações de que não havia provas sobre a responsabilidade do Irã'' no atentado a bomba que deixou vários mortos e feridos.
De acordo com o La Nación, meses depois o ''The Times publicou outra polêmica nota na qual Rohter relatava que os habitantes da Patagônia, ressentidos com o poder de Buenos Aires fundariam uma república independente que seria escassamente povoada mas próspera''.
Ao referir-se ao artigo onde Rohter diz haver uma ''preocupação nacional''
pelo suposto problema de alcoolismo do presidente Lula, o La Nación afirma que isso ''realmente não existe''. Também comenta que Rohter baseou-se ''em rumores, comentários de inimigos políticos, como Leonel Brizola, e em indícios que apontam mais a que o presidente gosta de beber socialmente - e isso é inegável - que a uma doença como o alcoolismo''.
O jornal Clarín afirma que a suspensão do visto do jornalista ''abre um precedente delicado: expulsar um jornalista estrangeiro do país por considerá-lo 'inconveniente'.

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