Pelo menos três testemunhas ouvidas pela Polícia Federal (PF) esta semana no inquérito que apura denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT) segundo o delegado Fernando Lara teriam confirmado o recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral.
''Esta semana foram três casos. Isso vai carecer de uma avaliação, perícia contábil, uma checagem com as entidades ou empresas que emitiram documentos de prestação de serviços, a própria Justiça Eleitoral, os documentos juntados. Tudo isso carece de cautela'', assegurou Lara.
Ontem, o jornalista Luciano Pascoal afirmou ter recebido mais do que os R$ 4,6 mil que constam na prestação de contas do PT. ''Ele falou: quando eu entrei na campanha tinha combinado um valor para um tipo de serviço. Logo no início da campanha, esse serviço teve um plus, um aumento de atribuições e ele ponderou junto à direção que, para que fizesse esse mais, deveria ter uma compensação de pagamento e assim foi feito'', relatou o delegado, complementando que esses valores não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral.
Também prestaram depoimento ontem Regina Estela Fonseca (leia nesta página) e Maurício Arruda Mendonça. Conforme a prestação de contas, eles teriam recebido três pagamentos, entre setembro e outubro de 2004, totalizando R$ 4,6 mil cada.
Mendonça, que segundo o delegado, trabalhou no site da campanha petista, saiu sem comentar o depoimento. ''Não vou falar nada para vocês. Perguntem ao delegado'', resumiu. No entanto, Lara não deu detalhes das declarações. ''Alguns detalhes, por ordem da preservação da investigação e para que não prejudiquem, a gente se reserva ao direito de não declinar esses números (valores pagos pelo PT).''
Informado sobre as declarações de Pascoal, o advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho, disse não ter tido acesso ao depoimento. ''Não acredito que ele tenha divergido do que realmente aconteceu. Não acredito, sem ter visto, que o Luciano tenha ido contrário ao que disse a Regina'', afirmou. Gomes Filho também refutou a tese de que a sua presença nos depoimentos como advogado do partido possa intimidar as testemunhas. ''Estou exercendo uma função constitucional na sede da Polícia Federal, sem poder interceder porque o inquérito é inquisitivo. Talvez a minha presença instigue as pessoas a dizerem a verdade. Poderia ver o depoimento do Luciano para depois poder comentar'', disse. ''Caixa 2 é uma teoria conspiratória criada para criar uma situação de desprestígio para o Partido dos Trabalhadores. Diferenças encontráveis que se enquadrem naquilo que o partido disse que ia gastar, além de não caracterizarem caixa 2, são perfeitamente adaptáveis ao encontro de contas dentro daquilo que o partido ia gastar'', considerou o advogado.
O diretório municipal do PT emitiu uma nota em que contesta as informações publicadas ontem de que o gasto com uma empresa de segurança não teria sido declarado. O preposto da empresa Proseg foi ouvido dia 23 pela PF e disse que, no final do segundo turno, nove ou dez seguranças teriam trabalhado em um evento da campanha petista por cerca de R$ 400. ''Consta de nossa prestação de contas da campanha de 2004 nota fiscal de prestação de serviços no valor de R$ 360,00, nº 3091, referente a serviço prestado pela Proseg, nome fantasia da empresa B. S. Vigilância e Segurança Patrimonial Ltda'', afirma a nota.
O delegado da PF também afirmou ontem que os dados da quebra do sigilo bancário do ex-coordenador estrutural da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior, ainda não foram encaminhados. A quebra do sigilo de Augusto durante todo o ano de 2004, foi decretada pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior, no dia 17. O juiz havia concedido cinco dias para que a Caixa Econômica Federal (CEF) cumprisse a determinação.

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