Jornalista admite trabalho a toque de caixa
Amigo pessoal da ex-reitora Lygia Puppato e ex-assessor de imprensa durante a presidência dela à frente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindprol), o jornalista Mário Fragoso, 49, disse ontem que está disposto a contar ao Ministério Público (MP) como ocorreu a participação dele na produção do livro-relatório ''UEL - Tempo de Luz/2002-2006'', publicado no último dia 9 dejunho.
Contratado por R$ 3,5 mil, Fragoso afirmou ter sido convidado para o trabalho já no final de maio, após as eleições para a reitoria, pela então chefe da Editora da UEL (Eduel), Patrícia de Castro Santos. Na votação, o candidato de Lygia, Moacir Medri - em cuja campanha o jornalista diz ter atuado, na parte de comunicação -, perdera os quatro anos de mandato para Wilmar Sachetin Marçal.
''Eles me chamaram poor duas razões: conheço a maioria das pessoas, pois até sou amigo de algumas, ou já trabalhei com elas, e tenho um vínculo forte com a universidade, desde os tempos de estudante'', afirmou.
Segundo Fragoso, o ''método meio caótico de trabalho'' se justificou pela exiguidade de tempo e, sobretudo, pela pressa na entrega do serviço. ''Porque havia passado a eleição, e havia o temor de que alguns projetos em andamento fossem paralisados, com a troca de equipe. Daí a pressa na conclusão do livro - se isso é legal, eu não sei'', define.
Definido desde a contra-capa e ao longo das 114 páginas como ''memória de gestão'', e não relatório institucional, o jornalista conta que a encomenda já foi feita com essa classificação - colocada por uma equipe de cinco profissionais ligados à administração da universidade e membros da equipe técnica do projeto.
Questionado se, a exemplo do que ela afirma, a ex-reitora não teve participação durante a execução do livro - apesar de o texto de apresentação (veja info) ser assinado por Lyga e Di Mauro -, Fragoso a isenta de alguma intervenção nesse sentido. ''Nesse intervalo de tempo, falei apenas com a chefe de gabinete dela (na Secretaria de Estado), mas sobre outros assuntos'', esquivou-se. Se ele acredita que Lygia, de fato, não sabia da produção do material da forma como realizado? O jornalista preferiu não comentar o assunto.
Já a professora do Departamento de Letras da universidade e ex-chefe da Eduel disse ter apenas ter sido convidada pela Coordenadoria de Comunicação (COM) para desempenhar a tarefa de contactar um profisisonal que escrevesse as memórias de gestão. Se partiu de lá a iniciativa de compilar os quatro anos, entretanto, Patrícia prefere deixar o assunto para o ex-coordenador de Comunicação, Isaac Camargo. ''Foram pessoas da administração, mas quem fala quais é só a COM'', concluiu. Por sua vez, Camargo também não cita nomes. Segundo ele, as decisões eram tomadas em grupo.
Esta semana, a reitoria deve anunciar a composição da comissão de sindicância que vai apurar o caso. (J.G.)





