São Paulo - O jornal americano ''Los Angeles Times'', em editorial publicado ontem, disse que o presidente Lula é culpado pela polêmica envolvendo a inspeção de instalações de enriquecimento de urânio brasileiras por inspetores internacionais. ''Se alguém deve ser culpado por levantar suspeitas sobre o programa nuclear do Brasil, esse alguém é Lula. Quando ele concorreu à presidência em 2002, publicamente questionou o tratado de não-proliferação de 1970'', afirma o ''LA Times''.
Em setembro de 2002, o então candidato Lula criticou o tratado em encontro com militares no Rio de Janeiro. Após receber fortes críticas de seus adversários na campanha, amenizou o discurso e afirmou ser um ''pacifista''. O editorial também responsabiliza o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (que deixou o cargo em janeiro). O texto diz que ele fez declarações ''provocativas'', em 2003, ao dizer que o Brasil não abandonaria a tecnologia para armas nucleares.
O jornal também afirma que Lula usou a polêmica para abafar o caso Waldomiro Diniz: ''Lula pode ter sido bem-sucedido, momentaneamente, em distrair a atenção dos brasileiros do grande escândalo de corrupção que envolve um de seus assessores. Mas, quanto mais longe for o governo brasileiro para abrir as portas para os inspetores, mais danos vai produzir em sua imagem''.
O editorial ainda menciona a recessão econômica para argumentar que o Brasil não está em condições de disputar com os Estados Unidos. ''No momento em que a economia do país apresenta a sua pior performance em uma década (...) a última coisa da qual o Brasil precisa é de uma disputa com as Nações Unidas e com os EUA.''

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