Jornal apreendido pode ser investigado como falsificação
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terça-feira, 09 de setembro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Polícia Federal (PF) de Londrina encaminhou ontem à Justiça Eleitoral cópia de um jornal apreendido no centro da cidade e, junto com ela, ofício em que sugere que o material seja analisado com base nos artigos 348 e 349 do Código de Processo Penal - os quais dispõem sobre falsificação de documentos públicos para fins eleitorais.
O jornal foi apreendido com quatro pessoas ligadas à coligação PSDB/DEM (na proporcional), que tem como candidato a prefeito Luiz Carlos Hauly (PSDB). A autoria da confecção e do pedido de distribuição foi assumida pelo candidato a vereador Gustavo Castro (PSDB), microempresário do setor de alimentos. O material, suposto encarte do jornal Correio Braziliense, elenca 19 textos publicados pelo diário, este ano, sobre investigações que correm contra o candidato a prefeito pela coligação ''É Preciso Mudar Londrina'', deputado federal Barbosa Neto (PDT). Além de suposto enriquecimento ilícito, os casos relatados pelo jornal tratam ainda de divisão de salários de assessores e contratação de funcionários fantasmas no gabinete do parlamentar apresentadas à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo ex-assessor Luciano Ribeiro Lopes.
As quatro pessoas que faziam a distribuição do jornal foram abordadas por uma equipe do próprio Barbosa perto das 9 horas, na Avenida Celso Garcia Cid, e encaminhadas na sequência, pela Polícia Militar (PM), à delegacia da PF. Ouvidos pelo delegado Gérson Machado, os ''voluntários de campanha'', conforme especificado por Castro, foram liberados e deixaram a delegacia em um carro da coligação tucana.
''Não estou fazendo denúncias. São matérias publicadas no jornal Correio Braziliense e reproduzidas por mim'', disse Castro. Ele afirmou que o material teve tiragem de cinco mil exemplares e custou R$ 1,2 mil, ''pagos com recursos próprios''.
O candidato também depôs - em seguida, em entrevista à FOLHA e indagado sobre o motivo da confecção e distribuição, resumiu: ''Não cometi crime, nada disso, aliás, o material foi todo feito de acordo com a legislação eleitoral. A coligação do candidato Barbosa Neto fez aquele 'circo' todo, mas o jornal foi liberado - meu intuito é apenas mostrar quem é essa pessoa que posa agora de bom moço'', alfinetou. Na delegacia, contudo, a informação de que o material fora liberado foi negada.
A reportagem apurou com uma fonte da PF que Castro admitiu ter feito a montagem do encarte com as matérias do jornal de Brasília como se a publicação fosse, no formato e no conteúdo, verdadeira. A partir da análise dessa declaração é que a Justiça Eleitoral poderá ofertar denúncia contra Castro, ou pedir à PF que instaure inquérito por suposto crime de falsificação de documentos com fins eleitorais. (Colaborou Carolina Avansini)


