Cerca de 17 mil jornais do Fórum de Luta por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania do Paraná foram apreendidos ontem por agentes da Receita Estadual, que fiscalizavam mercadorias sem nota em Curitiba. Os jornais mostravam a campanha pelo impeachment do governador Jaime Lerner (PFL) – iniciada por deputados estaduais de oposição – e traziam o chamado ‘‘Mapa da Corrupção’’, fazendo ligações entre Lerner, Antonio Belinati (sem partido), Giovani Gionédis (PSC), Cândido Martins de Oliveira, entre outros.
Nos dados parciais sobre a corrupção no Paraná, divulgados pelos jornais apreendidos, aparecem denúncias de desvios financeiros em diversos segmentos políticos. O ex-secretário de Fazenda Giovani Gionédis teria dado um rombo de R$ 6 bilhões na época da privatização do Banestado. O ex-secretário de Estado de Esporte e Turismo e ex-diretor da Banestado Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos (morto em acidente de trânsito), teria desfalcado a corretora em R$ 520 milhões. Lerner seria responsável por gastos de US$ 500 milhões em propaganda. O ex-prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati, teria desviado R$ 250 milhões dos cofres públicos.
Os jornais, de acordo com documento anexado ao material apreendido, foram editados pela Associação Nacional de Cooperativas Agrícolas de São Paulo (Anca) e seriam doados para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Curitiba. Quando o motorista da empresa Reunidas, Antonio José Silveira, descarregava o material no Centro da cidade foi surpreendido pela presença dos fiscais da Receita Estadual. ‘‘Eu fiquei surpreso. Não sabia que tipo de carga estava carregando’’, declarou ele.
O diretor da Coordenação da Receita Estadual, João Lucena, disse que a carga foi apreendida por não apresentar nota fiscal. Como era doação, não havia qualquer tributação prevista para o carregamento. Os jornais foram encaminhados para a Delegacia de Crimes de Desvio de Carga.
O secretário de Estado do Governo, José Cid Campêlo Filho, leu o conteúdo dos jornais e disse que existem diversas ofensas à honra do governador. ‘‘Não se sabe se os jornais são ou não apócrifos (falsos), temos que ver se este fórum existe. De qualquer forma, tomaremos medidas judiciais’’, disse o secretário. No início da noite, Campêlo Filho confirmou que o governo apresentou denúncia-crime para investigar a origem dos jornais. Hoje os advogados do fórum devem entrar com recurso judicial para que o material seja liberado.
O presidente da CUT-PR, Roberto Von Der Osten, classificou como arbitrária a apreensão dos jornais. Ele disse que o material foi feito pelo fórum nacional e serviria de base para os movimentos populares e sindicais que fazem parte da entidade. ‘‘Estou absolutamente surpreso com a competência dos órgãos de Estado. Não sabia que a carga chegaria hoje. Eles vieram até aqui e apreenderam este material’’, ironizou.

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