Jorge diz que FHC sabia de contatos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de agosto de 2000
Eugênia Lopes Agência Estado De Brasília 
O ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira admitiu ontem, em seu depoimento à subcomissão do Senado, que o presidente Fernando Henrique sabia de suas conversas com o juiz Nicolau dos Santos Neto para a escolha de juízes trabalhistas para São Paulo. O presidente sabia que eu me informava para aconselhá-lo, mas nunca discutimos critérios específicos; a minha função era levantar qual era o juiz mais adequado, afirmou.
Eduardo Jorge alegou que foram feitas 72 nomeações de juízes 58 classistas e 14 togados. Ele argumentou que contatos telefônicos com o juiz 199 telefonemas segundo o ex-secretário, serviam para escolher magistrados com mentalidade mais moderna em relação à legislação trabalhista. Procurava saber qual a posição política e jurídica dos indicados e qual a corrente sindical que era filiado o juiz, explicou, provocando risos na sala.
Abatido e um pouco nervoso no início de seu depoimento, que começou às 14h45, com 45 minutos de atraso, Eduardo Jorge foi ganhando confiança durante a sessão e negou todas as acusações. Ele garantiu que não faz lobby para empresas no governo, que o apartamento que comprou no Rio de Janeiro não vale US$ 1 milhão e que foi adquirido com as economias feitas ao longo de sua vida, negou influência junto aos fundos de pensão e desmentiu qualquer vinculação entre seus telefonemas para o juiz Nicolau com a liberação de verbas para o Fórum Trabalhista de São Paulo. Eduardo Jorge disse ainda que a Procuradoria-Geral da República o investiga desde o ano passado e nada encontrou contra ele.
Tenho vivido nas últimas semanas um pesadelo dos inquéritos à moda antiga, conseguidos a base da tortura; negam-me o direito de qualquer atividade privada, reclamou. Em seu depoimento, o ex-secretário garantiu que se encontrou pessoalmente sete ou oito vezes com o juiz Nicolau. Em duas delas, segundo ele, o juiz foi acompanhado dos presidentes Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Foi quando ele me foi indicado como a pessoa credenciada para eu falar , contou. Eduardo Jorge disse ainda que depois que deixou o governo, no fim de 1998, Nicolau o procurou para pedir uma indicação para um cargo. Mas não levei esse pedido ao presidente, afirmou.


