O ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira admitiu ontem, em seu depoimento à subcomissão do Senado, que o presidente Fernando Henrique sabia de suas conversas com o juiz Nicolau dos Santos Neto para a escolha de juízes trabalhistas para São Paulo. ‘‘O presidente sabia que eu me informava para aconselhá-lo, mas nunca discutimos critérios específicos; a minha função era levantar qual era o juiz mais adequado’’, afirmou.
Eduardo Jorge alegou que foram feitas 72 nomeações de juízes – 58 classistas e 14 togados. Ele argumentou que contatos telefônicos com o juiz – 199 telefonemas – segundo o ex-secretário, serviam para escolher magistrados com ‘‘mentalidade mais moderna’’ em relação à legislação trabalhista. ‘‘Procurava saber qual a posição política e jurídica dos indicados e qual a corrente sindical que era filiado o juiz’’, explicou, provocando risos na sala.
Abatido e um pouco nervoso no início de seu depoimento, que começou às 14h45, com 45 minutos de atraso, Eduardo Jorge foi ganhando confiança durante a sessão e negou todas as acusações. Ele garantiu que não faz lobby para empresas no governo, que o apartamento que comprou no Rio de Janeiro não vale US$ 1 milhão e que foi adquirido com as economias feitas ao longo de sua vida, negou influência junto aos fundos de pensão e desmentiu qualquer vinculação entre seus telefonemas para o juiz Nicolau com a liberação de verbas para o Fórum Trabalhista de São Paulo. Eduardo Jorge disse ainda que a Procuradoria-Geral da República o investiga desde o ano passado e nada encontrou contra ele.
‘‘Tenho vivido nas últimas semanas um pesadelo dos inquéritos à moda antiga, conseguidos a base da tortura; negam-me o direito de qualquer atividade privada’’, reclamou. Em seu depoimento, o ex-secretário garantiu que se encontrou pessoalmente ‘‘sete ou oito vezes’’ com o juiz Nicolau. Em duas delas, segundo ele, o juiz foi acompanhado dos presidentes Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. ‘‘Foi quando ele me foi indicado como a pessoa credenciada para eu falar ’’, contou. Eduardo Jorge disse ainda que depois que deixou o governo, no fim de 1998, Nicolau o procurou para pedir uma indicação para um cargo. ‘‘Mas não levei esse pedido ao presidente’’, afirmou.

mockup