Edson Mazzetto/Folha de LondrinaSem retrataçãoJoni Varisco: ‘‘Que seja feita justiça. Há quatro mortos e nenhuma punição para os culpados’’O secretário do Emprego e Relações do Trabalho do governo do Paraná, Joni Varisco (PDT), e o senador Roberto Requião (PMDB), têm encontro marcado para 21 de novembro no Fórum da Comarca de Cascavel. A data foi definida pelo juiz Paulo Roberto Hapner, da 3ª Vara Cível, para instrução do processo decorrente de ações movidas por Requião contra Joni, por tê-lo acusado de ter mandado executar o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, em 1993, em represália à morte de três policiais militares pelos sem-terra.
Joni Varisco, que participou ontem de encontro regional em Cascavel, organizado por sua Secretaria, disse que mantém a acusação e só aceita retirá-la ‘‘se os mortos voltarem à vida’’, e, como não ressuscitarão, quer ‘‘que seja feita justiça, porque há quatro mortos e nenhuma punição para os culpados’’. Na quarta-feira, audiência de conciliação foi encerrada sem que o secretário aceitasse proposta apresentada pelo advogado de Requião, Mozarte de Quadros, para que se retratasse, em troca de ser retirada as ações movidas pelo senador.
Como não houve acordo, o juiz deu andamento ao processo e marcou a data da audiência de instrução. Joni Varisco relata que ouviu o então governador Roberto Requião ligar de Brasília - do hangar de uma empresa de táxi aéreo, onde o secretário também estava - para o tenente-coronel Walter Pontes, comandante do 6º BPM de Cascavel, dizendo que ‘‘alguém tinha que morrer’’, em represália à morte dos policiais. Também teriam ouvido o telefonema o ex-vice-governador Mário Pereira e o ex-presidente do Tribunal de Contas, Nestor Batista.
No dia 3 de março de 93, sem-terra que haviam invadido a fazenda Santana, em Campo Bonito (município próximo a Cascavel) mataram a tiros três policiais militares que foram ao local ‘‘em missão’’, segundo versão sustentada na época pelo 6º BPM de Cascavel. Segundo os sem-terra e sua representação estadual (o MST), os policiais, que estavam à paisana, davam proteção a um madeireiro para a retirada de pessoal e motosserras utilizadas para o corte de árvores, por isso teriam sido confundidos com ‘‘jagunços’’ e teria havido ‘‘confronto’’.
Morreram um sargento, um cabo e um soldado (sete sem-terra acusados das mortes aguardam julgamento em liberdade). Cinco dias depois, um grupo especial da PM cercou e matou a tiros Teixeirinha, na época com 47 anos, porque ele teria ‘‘reagido’’ (segundo IPM realizado). Requião acompanhou pessoalmente todo o caso e, segundo Joni, na época deputado federal, teria classificado a PM de ‘‘covarde’’ por não reagir, ‘‘dizendo então que alguém tinha que morrer’’. Joni Varisco afirma não desiste da acusação embora ameaçado de ter que pagar ‘‘indenização milionária’’.

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