Joni diz que se retrata com Requião se mortos voltarem
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson Mazzetto/Folha de LondrinaSem retrataçãoJoni Varisco: Que seja feita justiça. Há quatro mortos e nenhuma punição para os culpadosO secretário do Emprego e Relações do Trabalho do governo do Paraná, Joni Varisco (PDT), e o senador Roberto Requião (PMDB), têm encontro marcado para 21 de novembro no Fórum da Comarca de Cascavel. A data foi definida pelo juiz Paulo Roberto Hapner, da 3ª Vara Cível, para instrução do processo decorrente de ações movidas por Requião contra Joni, por tê-lo acusado de ter mandado executar o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, em 1993, em represália à morte de três policiais militares pelos sem-terra.
Joni Varisco, que participou ontem de encontro regional em Cascavel, organizado por sua Secretaria, disse que mantém a acusação e só aceita retirá-la se os mortos voltarem à vida, e, como não ressuscitarão, quer que seja feita justiça, porque há quatro mortos e nenhuma punição para os culpados. Na quarta-feira, audiência de conciliação foi encerrada sem que o secretário aceitasse proposta apresentada pelo advogado de Requião, Mozarte de Quadros, para que se retratasse, em troca de ser retirada as ações movidas pelo senador.
Como não houve acordo, o juiz deu andamento ao processo e marcou a data da audiência de instrução. Joni Varisco relata que ouviu o então governador Roberto Requião ligar de Brasília - do hangar de uma empresa de táxi aéreo, onde o secretário também estava - para o tenente-coronel Walter Pontes, comandante do 6º BPM de Cascavel, dizendo que alguém tinha que morrer, em represália à morte dos policiais. Também teriam ouvido o telefonema o ex-vice-governador Mário Pereira e o ex-presidente do Tribunal de Contas, Nestor Batista.
No dia 3 de março de 93, sem-terra que haviam invadido a fazenda Santana, em Campo Bonito (município próximo a Cascavel) mataram a tiros três policiais militares que foram ao local em missão, segundo versão sustentada na época pelo 6º BPM de Cascavel. Segundo os sem-terra e sua representação estadual (o MST), os policiais, que estavam à paisana, davam proteção a um madeireiro para a retirada de pessoal e motosserras utilizadas para o corte de árvores, por isso teriam sido confundidos com jagunços e teria havido confronto.
Morreram um sargento, um cabo e um soldado (sete sem-terra acusados das mortes aguardam julgamento em liberdade). Cinco dias depois, um grupo especial da PM cercou e matou a tiros Teixeirinha, na época com 47 anos, porque ele teria reagido (segundo IPM realizado). Requião acompanhou pessoalmente todo o caso e, segundo Joni, na época deputado federal, teria classificado a PM de covarde por não reagir, dizendo então que alguém tinha que morrer. Joni Varisco afirma não desiste da acusação embora ameaçado de ter que pagar indenização milionária.


