Joel se silencia sobre 'fantasma'
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Notificado para prestar depoimento ontem à tarde, perante a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, o vereador Joel Garcia (PDT) preferiu se manter em silêncio no procedimento que apura suposto pagamento de assessora ''fantasma'' em seu gabinete. Segundo a representação encaminhada ao Ministério Público (MP) pela enfermeira Regina Amâncio, o pedetista teria contratado a assessora Angélica Alves Madeira, entre 1º de maio e 1º de julho, supostamente sem que ela tivesse exercido de fato a função.
De acordo com a promotora Leila Voltarelli, o vereador requereu o direito de permanecer em silêncio durante aquele que seria o primeiro depoimento dele ao MP. Em outras três oportunidades, mas de procedimentos que corriam no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Joel até compareceu, mas pediu sucessivos adiamentos da oitiva, que acabou não se realizando. Na última sexta, ele acabou denunciado pelos crimes de concussão e improbidade administrativa, por conta do suposto uso do cargo de vereador e de presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do Legislativo, para que pudesse ameaçar membros do Executivo caso não contratassem para o Procon, sem processo seletivo, uma ex-cabo eleitoral da campanha passada. Na outra acusação - essa, que rendeu apenas ação criminal -, ameaça semelhante, mediante uso das funções, teria ocorrido junto ao secretário municipal de Gestão Pública, Marco Cito, e ao prefeito Barbosa Neto (PDT), para que uma empresa da família de Joel fosse favorecida na licitação para fornecimento de hortifruti da merenda escolar. Cancelado o certame, novo edital está marcado para o próximo dia 30, assim como o edital para a mão de obra da merenda. Ele também é alvo de uma investigação por suposta compra de votos no Distrito de São Luiz (Zona Sul) - dessa vez, pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e Polícia Federal (PF). O pedetista se diz vítima de uma armação política.
''Essa representação sobre a funcionária de gabinete é anterior aos demais procedimentos. Ela também foi notificada, mas não veio duas vezes - em uma delas, apresentou atestado médico; já o vereador compareceu, mas invocou o direito de ficar calado'', disse a promotora, para completar: ''Outras pessoas ainda serão ouvidas, e como até o momento só temos essa representação e uma notificação a ratificando - nem o vereador, nem a ex-assessora foram ouvidos -, seria prematuro agora fazer qualquer avaliação'', definiu.
Ontem, nem Joel, tampouco os advogados que o acompanharam ao MP, Adauto Tomazewski, e Alexandre Aquino, quiseram se manifestar sobre o comparecimento ao MP. A FOLHA ainda tentou falar com o advogado titular do caso, Antonio Amaral, mas ele estava com o celular desligado.


