Joel retorna à Câmara e compara prisão à de Arruda
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
Autoproclamado o ''vereador que sozinho trabalhou mais que todos os demais da Legislatura passada'', Joel Garcia (PDT) reassumiu ontem a vaga na Câmara de Londrina, em sessão ordinária, após 54 dias de prisão e no estilo ácido com que vinha tratando, sobretudo, seu desafeto declarado - o prefeito Barbosa Neto (PDT). Foi após o depoimento de Barbosa ao Ministério Público (MP) que Joel começou a ser denunciado nas ações por supostos crimes de concussão e peculato.
Indagado sobre o motivo de ''o vereador mais atuante'' do atual Legislativo, ter sido também o parlamentar recordista de dias preso - o último nessa situação, Rodrigo Gouvêa (PRP), ficou 23 dias em preventiva -, Garcia relacionou a própria prisão à do governador cassado do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (sem partido): ''É uma infeliz coincidência com o governador do DF''.
O vereador observou: ''A diferença é que lá tinha dinheiro na meia, no meu caso nunca houve. O Arruda foi preso justamente em um momento de mudanças de jurisprudência; se fosse em outro momento, não teria durado tudo isso. Nesse mesmo período pessoas ficaram presas uma semana por matar ou traficar, meu caso é de suposta influência de testemunha - justamente meu chefe de gabinete, com quem eu conversava e converso todos os dias.''
Arruda foi preso em 11 de fevereiro pela Polícia Federal por suposta tentativa de suborno na investigação em esquema de arrecadação e pagamento de propina. Joel foi preso por suposta interferência indevida na coleta de provas, dentro de uma investigação que apura se ele manteve ou não a ex-assessora Angélica Alves Madeira como 'fantasma''.
O vereador teve a prisão revogada anteontem pelo juiz da 2 Vara Criminal, Délcio Miranda da Rocha, depois de esgotada a instrução do processo, no qual, segundo a Justiça, não teria mais como inteferir. Dezessete testemunhas e os réus - ele, a ex-assessora e seu chefe de gabinete, Anílton Honorato - prestaram depoimento.
Dia 29 de janeiro, ao ser preso por oficiais do Gaeco, o parlamentar concedeu entrevista e garantiu que, voltando à Câmara, viria como oposição ao prefeito, e ainda revelando supostas irregularidades que estariam sendo cometidas em dispensas de licitação. Ontem, preferiu se dizer ''independente'' do Executivo, do qual não vai ''ficar a reboque''. ''A Câmara tem por obrigação fiscalizar o Executivo, e algo servil da minha parte jamais vai existir, vou fiscalizar com muito rigor'', vociferou.
Em seguida, avisou que, uma vez que a sentença de primeiro grau o inocente, ingressará ações judiciais contra supostos algozes. ''Quem falou demais e não conseguiu comprovar vai pagar muito caro na Justiça - processaremos por calúnia, difamação, danos morais e materiais. Não fiquei 54 dias preso por molecagem''.
Sobre as denúncias que traria à tona, mas que manteve omitidas ontem, o pedetista - que, por sinal, negou que queira, ''nesse momento'', deixar o partido - descartou recuo ou eventual conselho da defesa e informou ter apresentado parte do teor delas ao juiz que o ouviu anteontem. ''Isso (denúncia) não será feita na cidade, mas no MP Estadual, em Curitiba, para os procuradores, foro adequado para poder se processar o prefeito municipal'', resumou, sem entrar em detalhes.


