O ex-vereador Joel Garcia (sem partido) foi condenado pela 2 Vara da Fazenda Pública de Londrina porque teria mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete em 2009, primeiro ano do mandato. A sentença, proferida pelo juiz Emil Tomás Gonçalves, foi publicada ontem no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça do Paraná. Além de Garcia, foram condenados o então chefe de gabinete, Anilton Carlos Honorato, e a funcionária Angélica Alves Madeira. Embora tenham sido condenados ao ressarcimento aos cofres do município e pagamento de multa pelo ato de improbidade administrativa, os valores a serem devolvidos com juros e correção monetária não são revelados na publicação.
Contra o ex-parlamentar e Honorato, o juiz decretou a suspensão dos direitos políticos por oito anos, proibição de contratar com o poder público e perda da função pública. Neste último caso, registra o magistrado que o ''réu Joel Garcia não mais é vereador, eis que não logrou ser reeleito no último
pleito eleitoral'', porém, na execução da sentença, se estiver ocupando algum cargo público, ''caberá a perda''. Angélica foi condenada também à perda dos bens somados ilicitamente ao patrimônio.
Ao descrever a multa aplicada aos réus, o juiz fala da gravidade do fato investigado pelo Ministério Público (MP) do Paraná. ''O valor da multa civil se justifica pela gravidade do ato praticado e visa a desestimular a reiteração na prática de ato semelhante ou de maior gravidade.''
A investigação sobre a suposta fantasma no gabinete de Garcia levou o ex-vereador à prisão em janeiro de 2010, porque ele estaria, segundo informou à época a promotora de Defesa do Patrimônio Público Leila Voltarelli, ameaçando testemunhas do caso.
Procurado pela reportagem, Garcia disse que ainda não foi notificado da sentença, mas negou irregularidade. ''Essa moça trabalhou regularmente no gabinete por 42 dias e recebeu cerca de R$ 1,9 mil e depois precisou sair para cuidar do filho.'' Segundo Garcia, ''no final do ano ela voltou a trabalhar lá voluntariamente por um período''.
Ele afirmou que recebe a condenação com tranquilidade e criticou a Justiça de Londrina. ''Aqui em Londrina as condenações são assim sem provas, mas em Curitiba temos revertido essas sentenças.'' Segundo Garcia, ele foi prejudicado porque a instrução processual teria sido conduzida por outro juiz.
O ex-vereador disse não ter mais pretensões políticas e afirmou que foi perseguido por ter atuado na oposição enquanto esteve na Câmara. O advogado Dely Dias das Neves, que defende os réus, ainda não havia sido notificado da decisão.

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