O Ministério Público Eleitoral (MPE) deve propor, nos próximos dias, denúncia criminal contra o vereador Joel Garcia (PDT) por suposto crime de corrupção eleitoral na campanha à Câmara do ano passado. Eleito para o primeiro mandato, o pedetista, ex-líder do prefeito Barbosa Neto (PDT) na Casa, teria conquistado ao menos parte do resultado de 2.370 votos por meio da cooptação de eleitores do Distrito de São Luiz (Zona Sul), os quais, em depoimentos, declararam ter recebido quantias que variavam entre R$ 20 e R$ 30 para vender o voto.
Além do MPE, a Polícia Federal (PF) também está no caso, mas em auxílio, dentro do mesmo procedimento. A denúncia que chegou à Promotoria foi corroborada, segundo os promotores eleitorais Renato de Lima Castro e Yara Faleiros Guariente, pela busca e apreensão de duas listas com nomes de eleitores do distrito nas quais constavam ainda endereços, número de título de eleitor, zona e seção eleitoral nas quais votavam. Até um recibo de R$ 150 foi encontrado - segundo o MPE, de um eleitor do bairro que confessou ter recebido de Joel pelo voto dele e de mais quatro membros da família. Em uma das listas havia 25 nomes; em outra, 23.
Ontem à tarde, mais sete pessoas foram chamadas a depor, reunidas em uma sala de aula da escola pública do distrito. Apenas a última, uma diarista de 46 anos, disse não ter recebido, sequer votado no pedetista, terceiro nome à Câmara mais lembrado no distrito, com 104 votos. Entretanto, a promotora afirmou que pode se tratar de uma homônima e que os depoimentos devem continuar.
De acordo com o delegado da PF Elvis Secco, ''há fortes indícios'' de que tenha havido crime eleitoral. O policial disse que, por ora, contudo, não deve instaurar inquérito para apurá-lo também na esfera policial para não haver uma divisão dos trabalhos. ''Agora é mais interessante apoiar a apuração do MPE a fim de que o procedimento termine o mais rápido possível e se possa oferecer uma denúncia e iniciar a ação criminal. Mas a instauração futura de inquérito não está descartada'', definiu.
Já a promotora citou que não só ''os depoimentos convergem'', como também o perfil de quem admitiu ter vendido o voto é muito semelhante. ''Todos dizem ter recebido entre R$ 20 e R$ 30 de cabos eleitorais do então candidato Joel Garcia para que votassem nele. Todos são pessoas simples: agricultores, lavradores ou diaristas e que recebem muito pouco e que afirmam que precisavam do dinheiro para a própria sobrevivência'', declarou. Se para ela os indícios de crime eleitoral também são fortes? ''Sim, e de afronta ao artigo 299, do Código Eleitoral (que prevê e pena de até quatro anos de reclusão). Não sabemos ainda se é necessária produção de outras provas ou não, mas nos próximos dias teremos uma resposta.'' Já o promotor Renato Castro lembrou que uma terceira lista, com outros nomes de eleitores, ainda não foi localizada no cumprimento do mandado de busca e apreensão expedido, no final da tarde de anteontem, pelo juiz da 146 Zona ELleitoral, José Antonio de Marchi. Segundo Castro, a princípio, os três cabos eleitorais que admimitiram a cooptação e o pagamento são considerados ''colaboradores'' do MP.
A FOLHA tentou contato ontem com o vereador, mas ele não atendeu os telefonemas. Segundo a assessoria da Câmara, ele justificou a ausência, inclusive da sessão, com um ofício informando que representaria a Casa em solenidade da Polícia Militar) em Curitiba. O advogado de Joel, Antonio Amaral, estava com o celular desligado.

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