Joel depõe e nega cobrança de propina
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Em depoimento ontem no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o vereador Joel Garcia (PDT) negou que tenha cobrado propina de taxistas referente ao projeto que regulamenta a atividade da categoria em Londrina. O caso é investigado há mais de um mês pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, uma vez que, em depoimentos, taxistas disseram que o parlamentar teria se valido do exercício da função para, supostamente, exigir R$ 1 mil de cada um - ao todo, são 350 profissionais. Em troca, ele não colocaria obstáculos à aprovação da matéria e nem trabalharia, junto ao Minitério Público (MP), para que fosse necessária licitação para exploração da atividade, hoje autorizada pelo decreto municipal 113, de 1986.
Conforme os depoimentos de seis das sete testemunhas, os pedidos para o pagamento teriam sido feitos a representantes do Sindicato dos Taxistas durante reuniões no gabinete de Joel, ano passado. Segundo os depoentes, a notícia de que a propina seria exigida era dada pelo advogado contratado pelo sindicato, que faria a análise jurídica para uma minuta de projeto que a entidade encaminharia à Prefeitura.
Ontem, em depoimento ao promotor Jorge Barreto, Joel admitiu ter se reunido com membros do sindicato em duas ocasiões, agosto do ano passado e maio deste, em seu gabinete, mas ''a portas abertas''. O teor das conversas seriam o projeto e a regulamentação da atividade, a qual, teria sugerido, carecia de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre MP, Prefeitura e CMTU, uma vez que, teria defendido, o serviço teria de ser licitado.
O vereador negou, porém, que tenha falado em valores ao grupo ou autorizado outra pessoa a falar em seu nome. Ele colocou à disposição do MP seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e entregou ao promotor cópia de um DVD com a sessão de anteontem na Câmara. Nela, o presidente do sindicato, Fernando Nunes de Souza, refuta o que dissera em depoimento à Promotoria, em junho, quando alegara a cobrança: em plenário, disse não ter sofrido exigência do tipo e que, se tivesse, teria denunciado já na ocasião.
Após o depoimento, o vereador definiu: ''Isso é fruto da mesma mente doentia e maléfica que tenta me denegrir''. Já Souza, questionado à tarde pela reportagem pela mudança de postura, encerrou, antes de desligar o telefone: ''O que disse ontem (quinta) na Câmara não tem relevância alguma''.
Para o promotor do Gaeco, o depoimento do parlamentar ''não trouxe surpresas''. Sobre o DVD com a segunda versão do presidente do sindicato, contudo, Barreto concluiu: ''As investigações continuam ainda no sentido de apurar se o agente público foi ímprobo ou não, mas vamos avaliar o conteúdo que ele nos trouxe, certamente''.


