O prefeito Jocelito Canto (PSDB), de Ponta Grossa, resolveu quebrar o silêncio e para se defender das acusações investigadas pelo Ministério Público resolveu atacar. Sobrou até para a Igreja, que segundo Jocelito se aliou com seus adversários para prejudicá-lo. Sobre a ação movida pelo Ministério Público, que está semana acabou com uma decisão judicial que bloqueou todos os seus bens, investimentos e determinou a quebra de seu sigilo fiscal, o prefeito disse que ainda nem contratou advogado. Ele pretende pegar cópias da ação inicial e do despacho do juiz, que a pedido do MP solicita a devolução de R$ 128 mil aos cofres públicos.
Mesmo assim, Jocelito adianta que deve entrar com um agravo de instrumento. Ele quer discutir o bloqueio de bens e de suas contas porque considera a medida dispensável. ‘‘O valor é muito pequeno para bloquearem meus bens’’, argumenta. No entanto, o prefeito refere-se apenas à divisão do valor total por todos os integrantes do rol de acusados, que são 12. Cada um responde solidariamente pela integralidade da dívida.
Na questão jurídica, Jocelito não vê problema. Ao contrário, diz que a argumentação da promotora Laís Letchacovski serviu para mostrar que ele não roubou. ‘‘Ficou claro que foram cometidos erros administrativos e não roubo.’’
Segundo ele, a exploração das denúncias tem o objetivo de destruí-lo. ‘‘Tudo começou com um grupo da elite, que perdeu para um prefeito popular e se juntou com a Igreja para me derrubar. Quando eu conversei com o promotor Roberto Ouriques, que iniciou as investigações, entreguei a ele uma série de documentos que provam que os governos anteriores cometeram os mesmos erros e alguns até mais graves. Quero ver se a promotora vai investigar isso também.’’
No alvo das críticas de Jocelito também figura o governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘Em Londrina e Maringá os caras roubaram, pegaram dinheiro da prefeitura e colocaram nas contas deles. Mas a TV, a pedido do Lerner, segurava tudo. Aqui em Ponta Grossa, como eu tinha problemas com o governador, eles transformavam erros administrativos em escândalos’’, disparou. Ele disse que nem mesmo escândalos como a do Banestado Leasing, são explorados com tanta força.
Jocelito afirma que em seis anos de carreira ganhou R$ 500 mil e hoje tem patrimônio entre R$ 80 mil e R$ 90 mil. ‘‘Tenho uma casa, que já tinha antes de ser político, e uma parte de uma chácara, dividida com mais seis pessoas. Eu tinha dois carros mas vendi para pagar as despesas da campanha, agora estou usando um carro emprestado’’, diz. Sobre investimentos ele diz que tem pouco. ‘‘Não trabalho muito com banco. Em ano de campanha eu movimento um pouco mais, mas historicamente estou pendurado nos bancos.’’
Jocelito faz suspense sobre sua carreira. ‘‘Ainda é cedo para falar porque por enquanto não tem eleição.’’ Ele diz que vai viver como radialista. ‘‘O tempo vai mostrar o que eu sou, vai mostrar como é a minha vida, que sou uma pessoa simples e não tenho aptidão para ser rico’’, concluiu.

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