Jocelito nega irregularidades ao MP
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segunda-feira, 12 de junho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Em depoimento que durou quatro horas, o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (PSDB), inocentou ontem funcionários e negou a existência de um esquema de corrupção em sua administração. Jocelito declarou ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Roberto Ouriques, que é vítima de um complô montado por adversários políticos.
O prefeito prometeu revelar hoje, às 7 horas, num programa que mantém na Rádio Difusora de Ponta Grossa, quem está por trás das denúncias. Como tinha foro privilegiado, ele falou ao promotor no próprio gabinete para rebater acusações de cobrança de propina, desvio de recursos, contratação de serviços sem licitação e apresentação de notas frias para respaldar as irregularidades.
Após o depoimento, Jocelito se recusou a responder perguntas dos jornalistas, anunciando apenas que falaria sobre o assunto na rádio. Os documentos e as fitas cassetes que o prefeito garantiu que irá apresentar hoje de manhã também foram entregues a Ouriques. O promotor não se manifestou sobre a conversa que teve com o prefeito. Antecipou apenas que as investigações já apontam para indícios de irregularidades na aplicação do Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundef), uma das denúncias apuradas.
No dia 7 de maio, o empresário Sidney Spósito foi o personagem principal de uma reportagem veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo. Durante um ano, ele filmou com uma câmera escondida as supostas irregularidades dentro da Prefeitura. Funcionários declaravam que o prefeito tinha conhecimento de tudo. Jocelito Canto se negou a ver as imagens na frente do promotor. Alegou a Ouriques que como o material é criminoso, não teria motivos para comentar um fato criminoso.
Spósito entregou 18 horas de gravação ao Ministério Público. As fitas de vídeo ainda estão sendo periciadas pelo Instituto de Criminalística. Na irregularidade mais flagrante, Marcos Bochnia, funcionário do Departamento de Arrecadação da Prefeitura, aparece recebendo R$ 600,00 de Spósito para facilitar o pagamento do IPTU.
Integrantes do Movimento pela Ética e Cidadania entregaram a Ouriques um abaixo assinado de 1,5 mil pessoas que apóiam o trabalho do MP. O documento foi repassado pelo bispo diocesano de Ponta Grossa, dom João Braz de Aviz.


