Jocelito não depõe e inquérito termina sem ouvir sua versão
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Giovani Ferreira 
A Delegacia da Mulher de Ponta Grossa concluiu o inquérito policial instaurado para apurar a denúncia de violência sexual feita pela secretária Silvana de Lourdes Felipe contra o prefeito Jocelito Canto (sem partido), sem ouvir o depoimento dele. Segundo a delegada Araci Carmen Costa, Jocelito foi chamado para depor, mas não atendeu à intimação. Como o prefeito é um homem público, com direito a foro especial, não precisava acatar o pedido da Delegacia da Mulher. Jocelito deve ser ouvido no Tribunal de Justiça do Estado.
A denúncia contra o prefeito (foto) foi formalizada há pouco mais de um mês. O inquérito policial deveria ter sido encaminhado ontem ao Fórum para depois ser remetido ao Tribunal de Justiça. O processo deve ser distribuído primeiro para uma das duas Varas Criminais de Ponta Grossa, para então o juiz, ao se julgar impossibilitado de analisar a matéria, remetê-la para Curitiba.
De acordo com a delegada Araci Costa, além de Silvana e de seus pais, a Polícia ouviu uma quarta pessoa, que prestou depoimento em favor da acusação. Apesar de as declarações de todos os depoentes constarem nos autos, a delegada diz que as informações trazidas pela testemunha foram irrelevantes.
Desde o dia da denúncia, formalizada no dia 12 de fevereiro, a estratégia de defesa de Jocelito Canto vem sendo o silêncio. Ele fez declarações públicas sobre o episódio uma única vez, alegando que a denúncia é uma armação. Mas o prefeito não contestou as acusações feitas por Silvana.
O inquérito, que deveria ter sido protocolado ontem no Fórum, foi concluído pela delegada Araci Costa na última sexta-feira. A Folha tentou contato com os advogados Emerson Ernani Woyceichosk, do prefeito Jocelito Canto, e Luiz Eduardo Goldman, da secretária Silvana, mas eles não responderam aos telefonemas.


